Contra reformas do governo Temer, Adufmat leva caravana à Brasília

Mobilização

Agencia Focaia
Redação
Giulia Sacchetti
Vasco Aguiar
  
   Foto: Adufmat
Caravana Adufmat Araguaia chega ao Distrito Federal para protestar contra as reformas propostas pelo governo Temer.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat), promove nesta quarta-feira (24) a mobilização “Ocupe Brasília”, que tem por objetivo lutar contra as propostas do governo federal de reforma da Previdência, Trabalhista e de Terceirização. Ao todo, serão disponibilizados cinco ônibus partindo de Mato Grosso com saídas em Sinop (1), Barra do Garças (2) e Cuiabá (2). O sindicato irá custear água e alimentação durante o período da viagem.

Segundo o representante regional da Adufmat em Barra do Garças, Deyvison Costa, o principal objetivo da mobilização “Ocupe Brasília” é mostrar para os congressistas que a população não aceita as reformas propostas pelo governo Temer. “Ela [mobilização] já estava agendada desde a Greve Geral de 28 de abril. No entanto o movimento ganhou contornos de “Diretas Já” depois que vieram a público as delações dos empresários”, explica.   

Costa diz que de Barra do Garças participam da mobilização; docentes, servidores e acadêmicos vinculados à UFMT e IFMT englobando os trabalhadores na educação superior. “Todos iremos nos juntar a inúmeras outras caravanas ligadas a outros sindicatos e movimentos sociais”. Para este dia de mobilização, diz o representante, estão programadas atividades de panfletagem e caminhada pela esplanada dos ministérios, na capital federal.           

Interação universitária

Agencia Focaia

Fotorreportagem
Vasco Aguiar
Adailson Pereira
Alexandre Arcângelo

Aconteceu sábado (20), no Clube Peixinho, em Barra do Garças, gincana entre calouros organizada pela Atlética Abdução, representante de todas as atléticas da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Araguaia. Neste evento, que busca a interação entre os estudantes, foram realizadas provas com os ingressantes dos três institutos da universidade, são eles; Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e Instituto de Ciências Exatas e da Terra (ICET).

Além de promover a confraternização entre os institutos, um dos objetivos da competição, vencida pelo ICBS, também foi a solidariedade. No total foram arrecadados mais de 100 quilos de alimentos não perecíveis para serem doados a entidades das cidades de Aragarças (GO) e Barra do Garças (MT).

Alunos dos três institutos celebram a chegada dos calouros.

Diretora de Patrocínio e Mídia da Atlética Abdução, Beatriz Bitineli, acadêmica do curso de Jornalismo, explica que as atividades da semana do calouro, como a gincana, são feitas para promover a interação imediata entre os novos alunos do campus e seus veteranos. “Por sermos uma universidade federal recebemos acadêmicos de todo o país, atividades como a que estamos realizando hoje é uma maneira de recepcioná-los de forma leve e divertida”. Ela acrescenta que é importante amenizar, pelo menos no início, o viés pesado e sério que uma universidade traz consigo, “a responsabilidade de estudar começa quando as aulas se iniciam, neste momento pré-aulas devem conhecer seus colegas, não apenas do curso que vão fazer, e descobrir uma nova vida que se abre”.

As torcidas dos institutos se destacaram durante a gincana.

Calouros do jornalismo estiveram presentes.

As torcidas aguardam o início de mais uma prova.

As baterias das atléticas Hipertensão (Enfermagem), Pedreira (Eng. Civil) e Suprema (Direito) se apresentam em conjunto.

Veteranos do curso de Educação Física.

Veterano do curso de direito, Othon Bueno permanececeu até final da gincana de recepção aos calouros.

Evento acadêmico

Agência Focaia
Redação
Adailson Pereira


     Fotos: Adailson Pereira
Espaço de Vivência da UFMT/CUA, local do evento Sarau Interativo

Na semana de retorno ao semestre letivo de 2017, foi realizado na quinta-feira (18), no Espaço de Vivência da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Araguaia, o Sarau Interativo, com vendas de roupas, livros, revistas, sapatos e atrações musicais. O evento foi organizado pelos Centros Acadêmicos dos cursos do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e pela Supervisão de Assistência Estudantil (SAE).

O evento, que teve como objetivo dar boas-vindas aos calouros, incluiu como atração a Feirinha Abstrata, com venda de produtos com preços acessíveis aos universitários. Para uma das organizadoras, Luana Oliveira, acadêmica do curso de Jornalismo, a ideia do sarau é unir os alunos e também chamar outros institutos para conhecer o ICHS. O início da feirinha se deu às 16h00, e, segundo Oliveira, foi pensado para incluir os estudantes com atividades no período da tarde, os quais nem sempre participam de eventos em razão do horário, “por isso a estratégia de fazer o sarau que venha de tarde para a noite”, acrescenta.

Assistência aos estudantes

O Sarau contou ainda com o bazar universitário (foto ao lado), organizado pela Supervisão de Assistência Estudantil (SAE). De acordo com técnica educacional e assistente social da Supervisão de Assistência Estudantil, Reygiane da Silva Sousa, o bazar é importante para os calouros que vêm de outros Estados e necessitam de ajuda para a manutenção na universidade. Sousa disse buscar a colaboração de professores, técnicos administrativos e estudantes para recolher doações. A assistente ressalta que o bazar é um projeto de extensão que atende toda a comunidade, onde são ofertadas roupas, utensílios domésticos, calçados.

O secretário geral do Centro Acadêmico de Geografia (CAGEO) e um dos organizadores do evento, Victor Santos, relata que essa é a segunda edição do sarau. O primeiro foi organizado unicamente pelo curso de Geografia, porém, outros cursos como Direito, Letras e Jornalismo participaram. “Esse ano resolvi expandir, já que os demais cursos participaram, porque não englobar os outros CAs”, analisa Santos. As pessoas que estiveram no Sarau assistiram apresentações musicais, manifestos em luta pela educação, pelos direitos dos negros, índios entre outros, e declamações de poemas.

A diretora do ICHS, Lennie Aryete Dias Pereira Bertoque destacou a importância do evento para a formação dos estudantes da UFMT. Para a diretora, o sarau constrói uma formação plena do acadêmico, onde extrapola o conhecimento científico. Segunda ela, o evento é cultural, social, uma relação de um conhecer o outro. É um espaço onde os estudantes se manifestam de maneira mais ativa. “A universidade privilegia a formação para além da sala de aula, finalizou.

Calouros

Agencia Focaia
Redação
Giulia Sacchetti


A Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia, recebeu na última segunda-feira (15) calouros ingressantes no semestre letivo 2017/1. As atividades ocorreram durante toda a semana, com palestras, debates, etc. No primeiro dia, como já é tradicional, a recepção dos calouros de cada curso, foi realizada pelos seus veteranos de curso, que acabam promovendo uma maior interação entre os acadêmicos. No Campus Araguaia existem atualmente 16 cursos de graduação divididos em duas unidades, uma na cidade de Pontal do Araguaia e a segunda em Barra do Garças.

     Fotos: Rodrigo Teodoro
Calouros do curso de jornalismo participam de trote durante recepção feita por seus veteranos.

Durante evento de recepção aos calouros, ocorrido na quarta-feira (17), a reitora da UFMT, Myrian Serra saudou os novos alunos do Campus Araguaia. “Vocês calouros merecem e deverão encontrar na universidade nosso respeito e competência para formá-los bons profissionais e cidadãos”. Serra ainda disse que cabe aos alunos que chegam à universidade se interessar pela qualidade de sua formação, devem  ter interesse pelos projetos universitários que podem agregar à sua formação. “Peço que vocês não fiquem acomodados em sala de aula, participem da vida universitária, pesquisem, façam parte de projetos de extensão, escutem a sociedade, pois ela é nossa principal mantenedora”.

Na mesma ocasião o Pró-reitor do Campus Araguaia, Paulo Jorge da Silva fez questão de enfatizar as diversas possibilidades da universidade. “Esperamos que vocês aproveitem todos os universos disponíveis dentro do ambiente universitário, temos aqui o universo político, cultural, religioso, do esporte entre outros, olhem com cuidado para um deles e absorvam aquilo que possa contribuir para seu crescimento profissional e pessoal”, disse.

Novos caminhos

A Agência Focaia entrevistou duas calouras ingressantes e descobrimos quais suas motivações e um pouco de suas histórias.

Milena Pires Silva (foto), de 17 anos, é moradora da cidade de Aragarças, em Goiás, cidade vizinha à Barra do Garças e Pontal do Araguaia, onde se localiza as unidades II do Campus Araguaia da UFMT. Ela conta que ingressar no curso de Enfermagem foi sua maior realização, “é um curso que sempre quis fazer e agora tenho esta oportunidade, não teria condições de pagar uma faculdade particular”. Sua percepção em relação aos veteranos de seu curso foi positiva, pois considera que foi bem recebida, “os veteranos foram muito atenciosos e estão apoiando os calouros nas atividades da semana de recepção e nos esclarecem algumas dúvidas sobre a universidade”, diz.


Já para Emily Tinan Dornelles (foto ao lado), de 18 anos, a ideia inicial era cursar Arquitetura e Urbanismo, mas como gosta muito de escrever, ler e falar, optou por Jornalismo em segunda opção. Depois de conhecer o conceito da universidade e realizar a prova do Enem na UFMT Araguaia, Emily diz acreditar ter feito a escolha certa, “este curso se encaixa naquilo que procuro, acredito que terei a oportunidade de aprimorar minha escrita e ler novos autores”. Para ela, que é de Barra do Garças, não haverá preocupações com aluguéis ou outras causas financeiras, já que mora com os pais.

Universidade

Agencia Focaia
Redação
Vasco Aguiar

     Fotos: Adailson Pereira
A reitora da UFMT, Myrian Serra, fala aos estudantes durante cerimônia de recepção aos calouros

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso, Myrian Thereza de Moura Serra, esteve ontem (17) no Campus Universitário do Araguaia para recepcionar os calouros que chegam à universidade. Serra volta às suas atividades depois de cinco meses afastada, depois de sofrer Acidente Vascular Cerebral (AVC). O evento, promovido no Cinema II, da unidade em Barra do Garças, contou com a participação do pró-reitor do Campus, Paulo Jorge da Silva, além da apresentação do Coral UFMT Araguaia.

A professora Myrian sofreu AVC no dia 10 de dezembro de 2016, no Teatro Universitário, na UFMT em Cuiabá. Após os primeiros socorros recebidos de médicos presentes no local e das equipes do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), foi levada para o hospital.

Enquanto esteve afastada, a reitora diz que reaprendeu coisas básicas. “Tive, durante este tempo, que reorganizar e refazer toda a minha trajetória de vida. Digo que reaprendi, assim como uma criança, a falar, comer, andar, e isso me transformou em uma pessoa diferente e melhor. Hoje me considero uma nova pessoa”. Serra considera que tem duas datas para comemorar, o dia em que nasceu, 16 de outubro, e quando diz ter renascido, 10 de dezembro. “Tenho dois aniversários, e me sinto grata por isso. ”

Já recuperada, Serra fez questão de visitar os Campus da Universidade. Ela disse que pretende fazer estas visitas ao menos duas vezes no semestre para prestar contas, e também recepcionar os calouros que entram a cada ano.

Saudação aos calouros

Myrian saúda os ingressantes do semestre letivo

Na cerimônia, a reitora saudou os ingressantes. “Venho aqui para saudá-los e dizer que vocês merecem e deverão encontrar na universidade nosso respeito e competência para formá-los bons profissionais e cidadãos”. Serra ainda disse aos novos alunos que deverão se adaptar ao ritmo universitário, “a universidade é um espaço diferenciado, o estudante passa a ser aqui o sujeito de seu aprendizado”.

Ainda durante sua fala, a professora pediu aos calouros que não se fechem às oportunidades oferecidas pela universidade. “Peço que vocês não fiquem acomodados em sala de aula, participem da vida universitária, pesquisem, façam parte de projetos de extensão, escutem a sociedade, pois ela é nossa principal mantenedora”.

Velhice desamparada: O asilo da Rua Apolinário

Publicação
Alfredo Costa
Colaborador

Repórteres
José Bonfim Moraes Júnior
Luana Silva Santana

No meio da Rua Apolinário Pereira Burjack, na cidade de Aragarças (GO), o portão de grades brancas sempre aberto é um convite para uma visita ao Lar da Providência. Ao passar pelo portão e seguir a pequena estradinha asfaltada que leva até a propriedade, a primeira pessoa que se avista é o senhor Derli Duarte da Silva. Sempre sentado pelos arredores do lugar, “Seu” Derli é de poucas palavras, mas atento a tudo que acontece ao seu redor, tanto que ao perceber nossa movimentação, de longe estica o braço para mostrar seu nome no comprovante de votação de um plebiscito em 1993. De boné vermelho, óculos escuros e uma toalha de cor laranja nos ombros, “Seu” Derli passa os dias acompanhado do álbum de fotografias que carrega em uma sacolinha de plástico enrolada em sua bengala. As fotos dos tempos de juventude, dos amigos e da família se misturam a uns retratos novos tirados ali mesmo. Perguntado se gosta das lembranças, ele sorri e balança a cabeça confirmando.
   Foto - Luana Santana

Entrada do Lar da Providência


Mas são poucos os familiares dos internos que aceitam o convite para visitar o asilo e acabam por reproduzir o comportamento da sociedade que descarta os seus membros considerados “inúteis”. “Seu” Derli faz parte das 65 pessoas, entre idosos e deficientes, que moram no Lar da Providência, fundado em 1985 pelo padre holandês Johannes Alexander Tobben, mais conhecido como padre Vicente. Desde 1991, o asilo é administrado pela Congregação das Irmãs Beneditinas da Divina Providência [1]. O Lar conta com 22 funcionários, entre enfermeiros, cozinheiros e auxiliares de serviços gerais.

Verificando-se o ambiente físico em que os idosos estão inseridos, o lugar é amplo e bem cuidado, uma pequena área verde entre os corredores traz um clima agradável e por instantes faz qualquer um esquecer-se das dificuldades que rodeiam o lar e das lutas que muitos passaram para mantê-lo. Mas os idosos ficam ociosos na maior parte do tempo: não há infraestrutura para atividades ocupacionais.
    Foto - Site Irmãs Beneditinas

Corredores do Lar da Providência


A instituição é sustentada pela própria aposentadoria dos idosos: 70% do benefício de cada um vai para administração como previsto no Estatuto do Idoso. Esse valor ajuda com as despesas dos funcionários, alimentação e remédios.  Entretanto, muitos recebem uma aposentadoria menor, cerca de R$ 290, já que familiares fazem empréstimos bancários e as parcelas são descontadas do benefício.

“A real ajuda para manter o lugar vem do povo”, como afirma uma das coordenadoras do lar, Irmã Líbera Tassi. Questionada sobre a ajuda dos municípios, ela diz que muita coisa não passa de promessa. A prefeitura de Aragarças disponibiliza um médico a cada 15 dias e um dentista quando necessário. Já o município de Barra do Garças contribui com uma doação de R$ 2,5 mil por mês, por força do Projeto de Lei nº 013/2013, de autoria do Poder Executivo Municipal, que garante a doação de R$ 30 mil anuais para o Lar da Providência, divididos em pagamentos mensais. Mesmo assim o Lar não está livre das dificuldades, são muitas as necessidades dos idosos e muitas vezes as Irmãs se desdobram para atender todos.


     Foto - Site Irmãs Beneditinas

Lar da Providência


Mesmo diante de todas as dificuldades, ao ser indagada sobre os motivos que a levam a exercer um trabalho como este, Irmã Líbera, que atua há 12 anos no asilo, diz que o amor a Cristo e aos irmãos abandonados que precisam de ajuda fala mais alto. Mas não esconde as contradições. É justamente a parte do abandono que chama a atenção, tanto que ela pede “caridosamente” para que não perguntemos a eles os motivos de estarem ali, pois grande parte não recebe visita dos familiares e relembrá-los disso os deixam abatidos psicologicamente. Perderam seu papel social no âmbito familiar e são considerados um incômodo.

E esse pedido também está presente na fala dos funcionários, assim como a indignação da maioria deles: a técnica de enfermagem Débora Negreiro, por exemplo, que trabalha há nove meses no local, confirma que muitos são deixados no lar por familiares que não costumam visitá-los; alguns iludem os idosos dizendo que a instituição é hospital e que vão ficar por um curto período, mas na verdade são rejeitados. Alguns chegam a arrumar as malas esperando os filhos virem buscá-los, contam alguns empregados do estabelecimento.


     Foto - Site Irmãs Beneditinas

  Lar da Providência


Por isso é mais que o compreensível o medo que as pessoas têm da velhice. É graças à probabilidade – quase certeza -de um futuro com rugas e com doenças ocasionadas pela idade, que se deve preocupar em torná-lo mais digno e menos amedrontador.

As políticas públicas estão em falta e as existentes são insuficientes, a caridade é bonita e surge como uma luz divina para muitos, entretanto atesta as deficiências governamentais para com a terceira idade no país.

A boa impressão inicial já se desfez. Uma reflexão mostra a necessidade de repensar os modos de tratar essa faixa da população. Essa etapa da vida desse ser aproveitada e vivida com a maior dignidade possível. Mas não é o que acontece: mesmo com a boa vontade e o empenho dos profissionais da organização, vivem num mundo paralelo de isolamento social. Não há como negar: o asilo da Rua Apolinário é um exílio.


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Reportagem realizada  na disciplina de “Técnicas de Reportagem e Entrevista”, no segundo semestre de 2013, do curso de Comunicação Social -Habilitação em Jornalismo do Campus Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso.