Sobre vacas



Por Michelly Matos *

Nando Reis é meu cantor predileto, caminhamos juntos há um tempo já, acho que desde os meus 12 anos. Ele não sabe, mas vai cantar no meu casamento (se eu casar), não precisa ter salgadinho, doces finos, lembrancinhas bobas. Vai ter comida e bebida, claro, no mais, vou investir o dinheiro no cachê dele. Uma das musicas que mais gosto se chama Caneco 70, e nela tem uma das mais inspiradoras citações sobre o Amor: “O amor às vezes não tem segredo. É um pasto imenso e verde cheio de muitas vacas.” Exatamente, a porcaria de um pasto, cheio de vacas.

A avó sempre dizia que não se deve dar nome às vacas, mas, e quanto aos bois? Haverá tradição pra isso? Pelo sim, pelo não, não vou batizar ninguém, e pra manter a coerência da história, continuarei falando sobre as vacas. As vacas e o pasto. Um pasto verde, imenso, capim fresco e muitas vacas, acreditem, durante a vida aparecem muitas vacas. Dizem que durante a vida os pastos servem a sete vacas, antes de encontrar uma definitiva. E há a maior diversidade de ruminantes… As vacas podem ser desgraçadas e egoístas; sabe aquelas que, volta e meia, surgem de volta na sua vida só pra não deixar você esquecer-se dela? Só pra cutucar um antigo pedacinho do terreno que tinha sido salgado e não crescia mais nada. De preferência com uma conversinha de saudade, de carência, um melodrama regado a lágrimas (falsas); a vaca diz que sente falta do seu pasto, e é porque a vaca nem chegou a comer, só uns esfregões no matagal.

Cara, no mínimo a vaca tá sem outro pasto. Fecha a porteira!

Leia mais na Coluna Cervical, via Anormal

Michelly Matos é jornalista egressa da UFMT/Araguaia

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