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O Centro Lekki de Conservação em Lagos, na Nigéria, detém a última área original da floresta inundada da cidade. A reserva, que representa um habitat único entre a lagoa e o mar, fica espremida em meio a terra recuperada e assentamentos urbanos. Ao olhar para uma imagem de satélite da área, você vê que a maior parte do espaço verde deu lugar ao cinza dos prédios e asfalto.
Tive a oportunidade de visitar Lekki em um dia chuvoso de julho, com um grupo de jornalistas ambientais que eu estava treinando. Eles usaram aplicativos móveis, como My Tracks, EveryTrail ou dispositivos de GPS padrão para marcar geograficamente fotos da área e gravar seu caminho através da floresta. Esses arquivos mais tarde ajudaram a ver quais áreas tinham visitado e contextualizar suas matérias com informação ambiental de mapas e imagens de satélite. Veja a nossa trilha de Lagos Central para o Centro Lekki de Conservação.
A atividade fez parte do segundo curso de formação do projeto “Flag it! Digital Tools for Environmental Reporting”. Em Lagos, oito jornalistas do Brasil, Alemanha, Nigéria, Filipinas, Portugal e Romênia passaram uma semana aprendendo novas maneiras de contar histórias ambientais usando um software inovador para analisar e visualizar dados.
Com o apoio financeiro da União Europeia, lançamos o projeto Flag it! em São Paulo, em maio, com um curso de formação para 12 jornalistas de sete nacionalidades. O curso foi desenvolvido pelo Laboratório de Inovação em Jornalismo Ambiental (Ecolab) em parceria com a European Youth Press, uma organização sem fins lucrativos com sede em Bruxelas. Recentemente, eu ajudei a criar o Ecolab, como parte da minha bolsa do Knight International Journalism Fellowship do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês).
Não importa de onde são, jornalistas ambientais falam a mesma língua. Seu trabalho lida com temas como a água, o clima e florestas. Cobrem as manifestações regionais dos mesmos problemas ambientais, incluindo poluição, incêndios florestais e desmatamentos. Como um jornalista ambiental, sempre aprendo muito ao ouvir outros jornalistas ambientais.
Compartilhar o conhecimento é uma parte essencial das atividades e projetos que estamos fazendo no Ecolab. A ideia por trás do Flag it! é formar jornalistas que serão capazes de espalhar o que aprenderam em seus países de origem, em suas redações e, eventualmente, tornarem-se instrutores. O foco também é promover o intercâmbio entre jornalistas ambientais de diferentes países, especialmente aqueles de países em desenvolvimento.
É por isso que estamos em parceria com as associações de jornalismo em diferentes países para trazer esse treinamento para jornalistas de todo o mundo. O projeto já formou parcerias com a Associação Nigeriana de Jornalismo Científico, a Rede Filipina de Jornalistas Ambientais, a Associação de Estudantes de Jornalismo e Comunicação na Romênia e o Fórum para Estudantes de Jornalismo Europeus (FEJS, em inglês) na Letônia. Saiba mais sobre os parceiros do projeto aqui.
Mais sessões de treinamento estão sendo organizadas. Jornalistas na África, Ásia, Europa e América do Sul em breve poderão se inscrever para participar. Os materiais do curso também estarão disponíveis em breve online no Geojournalism Handbook, um projeto apoiado pelo ICFJ e a Earth Journalism Network da Internews.
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O conhecimento que compartilhamos no treinamento Flag it! começa com uma visão geral das fontes de informação ambiental. Por exemplo, onde você pode encontrar imagens de satélite para criar um mapa de incêndios florestais? Como pode obter planilhas sobre desmatamento, emissões de carbono, o recuo dos lençóis de gelo, padrões de chuva, a severidade de uma seca e muitos outros indicadores?
Depois de aprender como encontrar os dados, os jornalistas devem aprender a organizar, analisar e, é claro, visualizá-los. Essa última parte pode ser o mais divertido. No Flag it!, os jornalistas testam maneiras fáceis de fazer tudo, desde criar gráficos interativos à elaboração de mapas de várias camadas. Eles trabalham usando ferramentas como Open Refine (antes chamado de Google Refine), Google Charts, Maps Engine, Fusion Tables, Carto DBMapBox, Google Earth e Ushahidi.
Através de sessões de treinamento e exercícios, esperamos ampliar o número de especialistas de dados ambientais na comunidade jornalística. Esperamos que essa rede cresça, crie filiais locais e aproveite mais o uso de dados e ferramentas digitais em reportagens ambientais.
Se você estiver interessado em treinamento para sua redação, ou precisa de materiais ou exemplos de como criar narrativas ambientais envolventes, por favor, entre em contato conosco. Você pode entrar emcontato com a equipe Ecolab diretamente em nosso site ou com a equipe de organização dostreinamentos Flag it! no European Youth Press.
Gustavo Faleiros é um jornalista ambiental e instrutor de mídia especializado em jornalismo de dados. Como base no Brasil, ele é bolsista do Knight International Journalism Fellowship. Siga-o no fTwitter.
Imagem 1: Durante o curso de formação em Lagos, na Nigéria, um grupo de jornalistas visita o Centro Lekki de Conservação e testa aplicativos que permitem marcar geograficamente fotos e registrar trilhas. Foto por Felix Gaedtke
Imagem 2: O grupo se encontra no Instituto Socioambiental, uma organização sem fins lucrativos brasileira, para falar sobre mapas da região amazônica. Foto por Alessio Lupi
Fonte: Ijnet

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