Jornalismo em rede

Por Antonio S. Silva
 
As pesquisas dos grandes jornais devem continuar. Serão importantes para observar os sinais emitidos pela audiência que muitas vezes foi vista como número e não como capazes de gerar opinião

Os movimentos sociais geraram importante preocupação da mídia tradicional brasileira sobre a sua credibilidade e tendência dos números de sua audiência. Alguns dos grandes jornais saíram a campo com pesquisas que demonstrem com clareza a receptividade do jornalismo que produzem diariamente. Não seria de outra forma: os resultados que apresentam sinalizam influência na dinâmica da exposição dos acontecimentos - uma realidade.

Alguns diários chegam a expor números apontando ampla credibilidade e acesso de seu material para informação do público. Sobretudo, quando o assunto chama a atenção da comunidade, em determinados momentos, como os recentes protestos de rua.

Não seria sensato acreditar que os meios de comunicação tradicionais fossem acabar de um momento para o outro. Sua credibilidade está na relação de séculos de apresentação dos fatos. Portanto tem uma herança sólida na transmissão de notícias do mundo, porém nem sempre exaltando seriedade com o público amplo.

Nos dias atuais, as novas mídias, embora historicamente ainda muito jovens vem provocando mudanças na forma das pessoas acessarem informações. O jornalismo, especificamente e oportunamente se transforma ao ritmo das novas tecnologias, o que fica evidente se analisado ao longo da história.

Um fato, entretanto. Embora haja mais credibilidade do jornalismo das grandes empresas, algo vem ocorrendo nesta questão em particular. Pois, a cada movimento da sociedade se percebe que a pauta vai sendo formada pelas redes sociais que obrigam o jornalismo a acompanhar o sua dinâmica. Daí se forma uma espécie de "mistura" entre o que é tradicional e o on-line, como Facebook, Twitter, e-mails, etc.

Não é somente um segmento que gera informação, mas são milhares de pessoas informando e sendo informadas diretamente. Cada qual escreve e recebe informações de comunidades, sem passar pelo crivo do jornalismo empresarial, inexoravelmente.

A preocupação das empresas de comunicação faz sentido, suas pesquisas sempre foram necessárias. Como o governo (e política) precisa observar os números e saber que o nível de audiência muda a cada período de tempo.

A grande massa de espectadores nos veículos de entretenimento não é real. A credibilidade do jornalismo com certa frequência vem sendo questionada nas redes sociais, como se pode observar nas publicações das comunidades. Importante que se diga: independentemente da classe social, que se comunica.

Tem-se como consenso a participação mais efetiva de grupos de pessoas no uso da rede, como aqueles que possuem nível superior. A comunicação nos meios eletrônicos perpassa a todos indistintamente. Cada qual tem seu universo para o qual leva sua atenção, chegando ao ponto de sequer acessar os jornais tradicionais como hábito, mas está na rede de comunicação, seja pelo computador, telefone celular, etc., em casa ou no trabalho. Em meio ao entretenimento se informa sobre a realidade do mundo – da política e na escolha do voto.

As pesquisas dos grandes jornais devem continuar. Serão importantes para observar os sinais emitidos pela audiência que muitas vezes foi vista como número e não como capazes de gerar opinião. As mudanças nem sempre são rápidas, mas ocorrem, exigindo novas estratégias das informações para a ordem, controle e poder.

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Antonio S. Silva é professor da UFMT, Campos Araguaia.

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