Bobagem (ou primeiro texto de uma Foca do Araguaia)


"No começo do próximo ano, se tudo sair como sonhei e desejei nos últimos tempos, estarei me mudando para uma cidade a setecentos quilômetros de onde moro, onde não conheço ninguém, para começar o meu tão esperado curso de jornalismo."


Estou na metade do último ano do ensino médio, depois dele, acabou escola. Sei que esse sentimento que guardo em mim, muitos outros jovens compartilham, aliás, como dizem, é clichê. Vejo um fundo fantasmagórico com um grande ponto de interrogação. Nos meus últimos doze anos meu único foco e dever era ir para a escola, brincar, falar bobagens com os amigos, sair da infância, virar adolescente, descobrir que a adolescência nem é tão legal, fazer certas coisas que prometi quando criança nunca fazer, prometer nunca mais fazer, mas dali a dois dias estar repetindo o ato (sem peso na consciência), enfim. Agora me encontro no "fim" de uma era. Chegou a hora de começar um novo caminho, estaria tudo bem se não fosse o pequeno detalhe que agora eu escolho como será.

O normal perante a sociedade seria eu ir para a faculdade, e sim, eu quero isso. Desde que tenho treze anos sei que a área da comunicação e linguagens, apesar de ser uma pessoa quieta e tímida, é o meu lugar, e enfim escolhi estudar jornalismo.

Cursar jornalismo é um grande desejo a um bom tempo que está prestes a se tornar realidade. Já perceberam minha crise? Realidade. Enquanto este desejo estava longe, era um sentimento bom, que me fazia pesquisar universidades, sonhar como minha vida mudaria, e agora, está prestes a mudar e estou sem ação. Estou sem ação seis meses antes, imagina quando o momento chegar. Estamos tão acostumados a pensar que sonhos são só sonhos, algo abstrato, não palpável.

No começo do próximo ano, se tudo sair como sonhei e desejei nos últimos tempos, estarei me mudando para uma cidade a setecentos quilômetros de onde moro, onde não conheço ninguém, para começar o meu tão esperado curso de jornalismo.

Esqueci de dizer algo que é importante mencionar, sou filha caçula, ou seja, sempre fui mimada de todas as formas possíveis, e tenho um pressentimento que nessa tal cidade, para onde talvez me mudarei, não existirá ninguém para me mimar. Isso me eva a outro tópico, deixarei pessoas para trás. Algumas manterei o contato claro, mas temo que com algumas, que ajudaram eu me tornar o que sou, o contato será extinto, talvez seja o mais correto, sempre deixamos algo para trás, mas não deixa de ser um pouco triste. Se eu pudesse levaria tudo e todos que amo nas minhas costas. Com outros a distância fará a amizade aumentar, e também não posso me esquecer que irei fazer outros laços na faculdade.

No momento está tudo esquisito, tudo mudando. Estou recolhendo as histórias, os rabiscos, versos, rimas e guardando tudo em um gaveta, não com um cadeado, mas algumas coisas deixarei se perder no meio da bagunça, e quem sabe daqui uns anos revirando-a dou algumas risadas relembrando.

Talvez os meus planos não saiam como planejo, e se não sair como planejo não tenho nenhum plano b, ou c. Só sei que algo está chegando ao fim. De algumas coisas não sentirei saudade, outras sim, de algumas penso que não irei sentir mas provavelmente irei. Não vejo nada no horizonte, e isso me da um certo calafrio, mas pensemos positivo. Não é por que não vejo que necessariamente é algo ruim, apenas é desconhecido.

Obs. do blogueiro: Bobagem, nada. Você tem tudo para se tornar uma Foca do Araguaia no ano que vem. Estamos aguardando você de braços abertos. Boa sorte!

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