Maduro para presidente

Os olhos do mundo se voltam para o país, com preocupação do reflexo nos demais países da América Latina. Uma situação desconfortável mesmo para as grandes nações que veem a região como quintal, com jardineiros passivos e acéfalos

por Antonio Silva



Um país comovido com a morte de um presidente, Hugo Chávez, chama a atenção pela sua representação política e social – que vai além do se imaginava. Observando a mídia global e brasileira, as que se destacam, não seria possível perceber a intensidade desta condição de símbolo, já um mito para a nação – uma aceitação já quase inconsciente.

Poderia dizer que o venezuelano conseguiu reunir em torno dele uma legião de pessoas no país e em torno da política chavistas em toda a América Latina.

O que se pode perceber não se trata de um concordar literalmente com o posicionamento do presidente, mas está em acordo com o agir do presidente que agiu de maneira popular, atendendo a maioria da população pobre, com medidas que permitiam viver com certa dignidade.
Os Estados Unidos nesta perspectiva, ao lado do Europa se torna o vilão que quer impedir a prosperidade dos marginalizados, para atender um projeto megalomaníaco dos imperadores da ordem global.

Uma possível proposta da Europa e América do norte em mudar a política no país não será fácil. A memória de Chávez ficará entre os venezuelanos por muitos anos, possivelmente enquanto não surgir um novo líder que mereça confiança, local e regionalmente – os mitos ficam perenemente.

A oposição somente perde neste momento de comoção e eleições. Nicolás Maduro deverá receber os votos dos chavistas e apoio do MERCOSUL, dos países que integram o bloco.

Este é um bom momento para se conhecer a posição não exatamente de um líder, mas a consciência política de uma nação. Pode ser que haja mais enfrentamentos e não o contrário. Os olhos do mundo se voltam para o país, com preocupação do reflexo nos demais países da América Latina. Uma situação desconfortável mesmo para as grandes nações que veem a região como quintal, com jardineiros passivos e acéfalos.


Antonio Silva é Jornalista e professor universitário (UFMT - Barra do Garças)

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