Com apenas quatro anos de fundação, equipe do Primavera disputa a Série D do Brasileirão com projeto de chegar à B em 2032

Esportes

João Rocha


Fundado em 2022, o “caçula” do futebol mato-grossense, o Primavera este ano participa da Série D do Campeonato Brasileiro. Com apenas quatro anos em atividade o clube, que desenvolve projeto ousado no futebol, conseguiu no ano passado se tornar campeão da série A do Mato-Grossense.


No domingo passado, no entanto, depois de campanha ruim no estadual deste ano, o Primavera acabou sendo rebaixado para a segunda divisão do Mato-Grossense. Porém, a proposta do clube continua. No próximo compromisso do time entra em campo pela Copa do Brasil, com partida disputada na quinta (19) às 20h (horário de Brasília), quando estreia em casa contra o Bragantino-PA. 

 

Para conhecer a história do clube, a Agência Focaia conversou com o presidente do Primavera AC, Bruno Manfio, para conhecer um pouco mais a sua história. Conforme afirma o presidente na entrevista a " grande meta do Primavera é chegar à Série B do Campeonato Brasileiro em 2032"




Presidente do Primavera, Bruno Manfio, conversando com elenco do time - imagem Divulgação. 

                              



Em que momento surgiu a ideia de fundar o Primavera Atlético Clube? Como foi a trajetória do clube desde a fundação até chegar à série D do Brasileiro?

Bom, o Primavera nasceu de uma vinculação minha com o esporte escolar. A gente vinha tendo, dentro do projeto escolar, bastante resultado positivo com a categoria de base, né? O esporte escolar, obviamente, é sub-17, em nível nacional. Eu decidi fazer um MBA em Gestão de Esportes pela FGV, em parceria com a FIFA, lá no Rio de Janeiro. Eu já levava em consideração a possibilidade de trabalhar com futebol - talvez ser um executivo de futebol, trabalhar em um clube, né? Fui estudar com essa intenção: entender se existia uma indústria para outros esportes ou se existiam portas para se trabalhar dentro de um clube. No MBA, não vi nenhuma dessas duas possibilidades e aí surgiu a ideia de estruturar um clube do zero, entendeu? Então, o clube surgiu dessa situação. Primavera já tinha tido um clube de futebol lá no início dos anos 2000, um clube que representou bem a cidade, mas de lá para cá não tinha mais. O Mato Grosso vinha crescendo muito, em todos os quesitos, e esportivamente, por causa do Cuiabá, também estava crescendo bastante. Então, havia essa oportunidade de mercado. Primavera do Leste é uma cidade muito legal, uma das principais cidades do estado do Mato Grosso em relação à receita, qualidade de vida etc., e não tinha futebol. Foi esse cenário que me levou a assumir o risco de criar um clube. O clube foi fundado em 2022. Nós jogamos a segunda divisão do estadual com mais da metade do elenco formada por atletas que a gente profissionalizou a partir do futebol amador da própria cidade. Trouxemos menos de 10 atletas de fora — acho que foram 8 — para compor o grupo. Esportivamente, fizemos uma competição ruim: foram 4 jogos e 2 pontos. Mas, olhando estrategicamente, hoje, pelo que a gente fez na época, foi uma boa competição, uma competição válida. Ela nos trouxe muito aprendizado, porque entramos no futebol sem nenhuma bagagem, sem trazer conhecimento de fora. Entramos para aprender de dentro. No segundo ano, em 2023, fomos campeões da segunda divisão do estadual, então nossa passagem pela Série B acabou sendo rápida. No primeiro ano na elite, em 2024, fizemos um estadual interessante; com o orçamento que a gente tinha, conseguimos nos manter na primeira divisão. Em 2025, fomos campeões do Campeonato Mato-Grossense. Agora estamos em 2026, que é um ano histórico para o clube: o ano em que o Primavera vai disputar competições nacionais pela primeira vez. Tudo é muito novo, mas essa foi a jornada.


Como anda a montagem do elenco, será mantida a mesma base do ano passado?

Sobre o elenco, trouxemos sete atletas que trabalharam conosco em 2025. Queríamos ter trazido mais, pelo menos dez era o objetivo, mas com o título, os atletas conseguiram se valorizar, e isso faz parte do nosso propósito. Por esse motivo, alguns atletas não conseguimos trazer de volta. O restante do grupo é composto totalmente por atletas novos. Estamos falando de cerca de 20 jogadores novos no clube. Em relação à montagem do elenco como um todo, do gol ao ataque, trouxemos atletas com potencial em todos os setores. É praticamente um elenco novo. O orçamento deste ano em relação a 2025, aumentou em aproximadamente 40%.


Como a direção lida com essa ascensão tão rápida do time?

A gente é muito pé no chão. Enxergamos que é algo grandioso, mas continua sendo futebol: 11 contra 11, da mesma forma, e o orçamento precisa ser respeitado. Então, entregamos para os envolvidos, para a torcida e para a cidade os benefícios que podem vir, mas sem nos deslumbrar. Não temos grandes metas esportivas para esse primeiro ano em competições nacionais - até porque conhecemos nosso orçamento e as limitações que teremos. O impacto maior veio no momento em que conseguimos a vaga, quando entendemos: “Vixi, temos esse desafio no ano que vem”. Um calendário que antes era de três ou quatro meses agora passa a ser de oito, nove ou até dez meses. Isso exige geração de receita. Nosso foco é muito objetivo nesse sentido: precisamos fazer receita. Depois, é entender como a cidade vai abraçar o projeto e como vai aproveitar esses benefícios. Como é algo muito novo, ninguém ainda tem muita noção do que pode ser extraído desse ano. É como colocar o pé na água primeiro.


Quais são as expectativas da diretoria quanto às disputas nas competições deste ano?

A prioridade do ano é o estadual. Para nós, é muito importante que a gente consiga fazer um grande estadual novamente e consiga as vagas do Nacional em 27 novamente. Então, essa consistência, essa recorrência em participação são muito importantes para o crescimento do Primavera. Então, o estadual é crucial. Obviamente, a Copa do Brasil, vamos depender de cruzamento, mas existe aí uma possibilidade de fazer um grande jogo e passar uma fase, duas fases. A gente vai ter que entender como é que vai ficar essa estrutura, mas existe essa possibilidade. A gente sabe que é uma competição que financeiramente é muito interessante para clubes pequenos. Competitivamente, a gente sabe da nossa limitação. E a série D é aprender a jogar a competição. Para isso, a gente precisa dessa consistência do estadual. A Copa Verde é provavelmente a competição de menor importância do planejamento do Primavera para 2026.


A equipe leva o nome da cidade e naturalmente propõe uma representação do município. De onde partiu a escolha dessa identidade visual?

Então, cara, o roxo é por causa da identificação mesmo do roxo, né? Provavelmente a gente é, se não for o principal, um dos principais clubes roxos do Brasil hoje, né? Então isso pra nós joga muito a favor do posicionamento da marca, né? Segundo ponto do roxo é porque Primavera do Leste, nos anos 2000, que é quando a Primavera era forte no futebol, e foi quando eu cheguei na cidade, que a Primavera era conhecida como Cidade da Uva. Tinha a festa da uva, produzia vinho, tinha as parreiras, né? Antes de virar tudo soja e milho, né? Então, a gente queria trazer essa paixão de volta dessa época aí da Cidade da Uva. Então esses são os principais motivos do roxo, né? A logo do Primavera é uma logo moderna, inspirada ali na logo da Juventus, mas ela também tá baseada ali no trevo que fez Primavera estourar. Primavera do Leste existe por causa de um trevo. Então se você vê, o P é tipo uma estrada, né? É como se fosse um trevo. Na época era o cruzamento das sete placas, se eu não me engano. Me deu branco aqui agora. Então a logo também tem essa simbologia, né? E o mascote da coruja... A Primavera tem muita coruja. Muita coruja, coisa absurda. A coruja também não é um mascote muito comum, não é muito famoso. E representa também ali algumas características, né? A coruja como um animal inteligente, um animal sábio. Mas antes de qualquer coisa, a coruja é um predador, né? Então a gente trabalha com inteligência, trabalha com cuidado.


Imagem da logomarca do Primavera - imagem reprodução.



Quais são os próximos passos do Primavera AC?

O Primavera completa quatro anos agora em fevereiro. Sempre tivemos metas bem realistas, com os pés no chão, e o clube vem superando essas metas, antecipando etapas, por isso, estamos sempre correndo atrás. Precisamos buscar novamente as vagas para competições nacionais, então temos que estar no top 4. Também precisamos passar, pelo menos, uma fase da Copa do Brasil para gerar uma receita extra. No entanto, os clubes que vamos enfrentar também tem esse objetivo, o que torna o desafio ainda maior. Precisamos fazer uma Série D interessante em termos de aprendizado, mas não sabemos o que pode acontecer. O futebol é imprevisível, então precisamos aguardar. Os objetivos são manter os pés no chão e nos tornar uma equipe frequente na Série D. Com essa estabilidade, poderemos organizar o orçamento para, futuramente, buscar o acesso à Série C. A grande meta do Primavera é chegar à Série B do Campeonato Brasileiro em 2032, um projeto de dez anos. Portanto, ainda temos um bom tempo de trabalho pela frente. Para este ano, o foco é estabilidade e segurança. Além disso, estamos construindo o CT do clube. Provavelmente, em julho, o centro de treinamento estará concluído, com estrutura administrativa, alojamentos, academia, departamento médico e dois campos. E essa obra já está em andamento.