Dia Mundial do Rádio: a voz que moldou o jornalismo e encurtou distâncias

 Celebrado em 13 de fevereiro, o Dia Mundial do Rádio relembra o papel histórico do meio de comunicação que popularizou o acesso à informação, aproximou redações do público e transformou a forma como as notícias passaram a circular no mundo.

 

Comentário

 

Cultura

Estenio Mota

 

O Dia Mundial do Rádio é celebrado anualmente no dia 13 de fevereiro, data que transmite peso histórico sobre a história da comunicação. Antes das telas, dos cliques e das notificações o veículo ensinou gerações inteiras a acompanhar notícias em tempo real, a confiar em vozes e a criar o hábito diário de se informar.

 

Ilustração: Estenio Mota


 

O rádio nasceu no fim do século XIX como uma inovação técnica quase experimental no campo do Jornalismo. Ninguém imaginava que, poucas décadas depois, ele se tornaria o principal elo entre redações e a população. Em um período em que jornais impressos demoravam horas, às vezes dias para circular, a transmissão sonora encurtou distâncias e mudou a relação das pessoas com a informação. Pela primeira vez, a notícia não precisava esperar o papel, chegava pelo ar.

 

Durante guerras, crises políticas e momentos decisivos da história mundial, o rádio assumiu um papel que hoje parece impensável: o de companhia constante. Famílias se reuniam em volta do aparelho para ouvir boletins, discursos e reportagens. O jornalismo, que até então era majoritariamente escrito, ganhou entonação, emoção e urgência. A voz do locutor passou a transmitir não apenas fatos, mas também segurança ou apreensão, dependendo do contexto.

 

No Brasil, o impacto foi igualmente profundo. Em cidades grandes ou pequenas, o rádio democratizou o acesso à informação. Mesmo quem não sabia ler podia compreender as notícias, acompanhar acontecimentos políticos e se sentir parte de algo maior. Essa característica ajudou a consolidar o jornalismo como um serviço público essencial, não apenas um produto editorial.

 

Renovação do Rádio

 

Com o avanço da televisão e, mais tarde, da internet, muitos apostaram no fim do rádio. A previsão nunca se confirmou. Ele se adaptou e continua ocupando os espaços sociais. Migrou para o digital, ganhou aplicativos, podcasts e transmissões online, mas manteve a sua essência, a proximidade do público. Diferente de outras mídias, o rádio não exige exclusividade do público, pode ser ouvido enquanto se trabalha, dirige ou caminha. Essa presença discreta é justamente sua força.

 

Celebrar o Dia Mundial do Rádio é, portanto, reconhecer o veículo que ensinou o jornalismo a falar com as pessoas, literalmente. É lembrar que, muito antes das timelines (linha do tempo), foram ondas sonoras que carregaram as primeiras notícias urgentes, os primeiros plantões e as primeiras narrativas ao vivo. O rádio não apenas informou; ele formou ouvintes, criou rotinas e ajudou a construir a ideia moderna de acompanhar o mundo em tempo real.