Em entrevista à Agência Focaia, Marluce Silva destaca mudanças realizadas na UFMT após cinco meses de sua gestão

Política

Maria Eduarda Bonfim


 

Reitora durante a posse dos membros de sua gestão, realizada no dia 16 de outubro 

do ano passado – imagem SECOMM.



 

Após cinco meses de gestão frente à Universidade Federal de Mato Grosso, a Agência Focaia realizou entrevista com a reitora da reitoria Marluce Aparecida Souza e Silva para a sua análise sobre as principais mudanças realizadas até aqui e propostas de projetos para os próximos anos.  


Ela que tomou posse no dia 16 de outubro do ano passado, de lá para cá realizou encontros com agentes políticos do Estado e da União em busca de apoio para seus projetos e investimentos institucionais. “Os políticos e o Congresso têm nos recebido muito bem, e, além disso acreditamos na política como instrumento de luta e conquista para o exercício da democracia.”

 

No entanto, precisa enfrentar desafios na administração do ensino público, quanto aos recursos disponíveis para a educação superior. Como afirma Silva, quanto ao orçamento aprovado pelo Congresso, no mês passado referente a este ano, afirma que constatou “uma perda de algo em torno de 5 milhões, se comparada à peça orçamentária apresentada.” A seguir a entrevista.

 

Passados os primeiros meses da gestão, como a senhora avalia as condições orçamentárias da UFMT? Falta recursos para investimentos e projetos?

 

O orçamento da UFMT é sempre elaborado no anterior à sua execução. Chegamos em outubro de 2024 e sequer encontramos uma Comissão Mista de Elaboração do Orçamento para 2025. Em outubro tínhamos um orçamento zero e iniciamos o ano com a liberação de 1/12 para iniciar as atividades. Apenas na data de ontem (20/03) o Congresso Nacional aprovou o Orçamento para 2025, onde já detectamos uma perda de algo em torno de 5 milhões, se comparada à peça orçamentária apresentada. É importante enfatizar que os recursos do orçamento da União suportam apenas o custo de pessoal (ativo e aposentado) e custeio. Algo em torno de 3% do orçamento existe para o capital. As grandes reformas, construções e revitalização da UFMT serão realizados com recursos de Emendas Parlamentares e do PAC.

 

A senhora se apresenta em muitas ações ao lado de personalidades da política, como estão os apoios em Mato Grosso e no Congresso Nacional?

 

Temos recebido muito apoio em nível estadual e nacional. Autoridades políticas internacionais, tal como as Universidades Chinesas também se desponta como uma relação promissora em termos de pesquisa e de cooperação. Temos enfrentado com otimismo o desafio de equipar o novo hospital universitário da UFMT.  Os políticos e o Congresso têm nos recebido muito bem, e, além disso acreditamos na política como instrumento de luta e conquista para o exercício da democracia.

 

Há anúncios de projetos que vem sendo desenvolvidos, com mudanças na estrutura da UFMT, como é o caso criação da Secretaria de Direitos Humanos (SDH).

 

A Secretaria de Direitos Humanos é uma estrutura necessária e de prioridade em nosso Programa de Gestão. Nosso compromisso com a permanência digna dos estudantes e servidores/as no espaço da UFMT exigiu a criação deste espaço institucional, onde está sendo articulada uma política para combater o assédio, o adoecimento, a sobrecarga de trabalho, o constrangimento e para defender os direitos de todos nós, com respeito ao meio ambiente, à diversidade e à pluralidade de pessoas que constituem a comunidade universitária.

 

O que motivou a criação da Secretaria de Direitos Humanos na sua gestão?


A motivação é própria da convicção de que devemos cuidar das pessoas da Comunidade Universitária. Se os servidores e estudantes estiverem desamparados a universidade perecerá. Direitos Humanos na Universidade significa acolhimento nos momentos de fragilidade, significa saúde, educação, cultura e lazer. E, para começar estamos oferecendo gratuitamente, uma vez ao mês, a apresentação da Orquestra Sinfônica no Teatro Universitário. É um lazer sadio e fortalecedor de nossa estima, pois a música é um remédio para todos os males. E outras atividades culturais estaremos oferecendo também nos Câmpus do Araguaia e Sinop.

 

Quanto à criação da Secretaria de Atenção à Saúde do Servidor (SASS), quais principais motivos que levou à sua criação e como será estruturada?

 

A SASS ganhou status de Secretaria, pois antes era apenas uma Coordenação. Esta Secretaria é responsável pelo atendimento da saúde dos servidores e precisava ter status, orçamento e equipe multiprofissional de profissionais especializados. Já temos um psiquiatra, um psicólogo, uma assistente social e outros médicos. E agora, em nossa gestão, os servidores terão atendimento médico e psicossocial de urgência. Entendemos que os servidores/as precisam também de atendimento hospitalar e já estamos estudando caminhos para garantir um serviço de atendimento efetivo para a saúde dos trabalhadores em nossa instituição.

 

Há parcerias externas com a gestão para garantir o bem-estar dos servidores, como serão desenvolvidas as ações?

 

Sim. As parcerias são necessárias e bem-vindas desde que elas signifiquem fortalecimento do ensino, da pesquisa, extensão, inovação e garantia de saúde aos nossos servidores e estudantes. Estamos aguardando a confirmação de um recurso destinado à execução de um projeto de saúde do trabalhador, que será realizado no HUJM em parceria com a EBSERH. Hoje já temos parceiros importantes como os parlamentares estaduais e federais, além das organizações da sociedade civil de Mato Grosso. Todas as parcerias serão realizadas com observância à lei e às resoluções e normativas internas da UFMT.

 

A senhora anunciou também a criação da Secretaria de Assuntos e Relações Interinstitucionais (SARI), quais são as principais funções e responsabilidades do órgão? Quais os resultados esperados dessa secretaria em termos de cooperação com outras instituições de ensino e organizações externas?

 

A SARI já existiu no passado e foi extinta. Nós acreditamos que ela seja importante para fortalecer as relações da UFMT com todas as demais instituições, especialmente aquelas que fomentam as atividades de pesquisa, inovação e extensão na universidade. São muitas as frentes e a serem enfrentadas, e a responsabilidade da SARI será buscar recursos que fomentem questões estratégicas com vistas ao fortalecimento da ciência, da tecnologia e também da administração. Com isso esperamos fortalecer a cooperação com outras instituições de ensino nacionais e com os organismos internacionais.

 

Por que a reitoria definiu a mudança na Secretaria de Infraestrutura que volta a ser Prefeitura do Campus? Quais melhorias e benefícios essa reestruturação traz para a gestão e infraestrutura do campus?

 

A universidade é uma cidade e como tal deve ter uma prefeitura ágil e de resultados imediatos no atendimento das demandas. O prefeito volta a ter o status necessário e competência para cuidar dos prédios, da iluminação, do asfalto, guaritas, sinalização, paisagem, arborização, áreas verdes, canteiros, calçadas, elevadores, transporte interno e segurança. Estamos apostando na estrutura da prefeitura.

 

A Pró-Reitoria de Pesquisa agora é PROPESQ e passa a ter a Gerência de Projetos de Pesquisa, o que motivou estas mudanças? Como essas mudanças impactam nos projetos de pesquisa da universidade?

 

A mudança para PROPESQ e a criação da Gerência de Projetos de Pesquisa são uma sinalização de respeito e de fortalecimento da política de pesquisa da UFMT. A nova gerência nasce para oferecer mais agilidade, cuidado e suporte técnico no registro e acompanhamento dos projetos de pesquisa de nossos pesquisadores e pesquisadoras. Quando transformamos a antiga supervisão técnica em gerência de projetos sinalizamos que estamos comprometidos, como gestão, em dar todo o suporte aos projetos de pesquisa, com a PROPESQ atuando agora não apenas no registro, mas também no suporte à construção e na visibilidade das pesquisas registradas em nossos sistemas institucionais. Estamos empenhados em apoiar as pesquisas por meio de parcerias e de fomento e em abrir novas portas para que levem o conhecimento produzido aqui para além dos muros da universidade. Essas diretrizes possuem um impacto importante na pesquisa e na inovação na UFMT.



Reitora Marluce Silva e prefeito de Lucas do Rio Verde com apoio do ministro Carlos
Favaro se reúnem em Brasília com o ministro da Educação Camilo Santana para tratar
da implantação do novo campus da UFMT - imagem Reprodução.

 

Para finalizar, a senhora ao lado de algumas personalidades políticas anunciou a criação do Campus Lucas do Rio Verde. É realmente uma ampliação estratégica da UFMT no estado? Quais cursos fazem parte do projeto para o novo Campus? Há uma data prevista para início das obras e das atividades acadêmicas.

 

A solicitação de criação de um campus na cidade de Lucas do Rio Verde foi apresentada a mais de 10 anos. Logo que fomos nomeadas recebemos a visita do Sr. Miguel Vaz Ribeiro, Prefeito do município. Em seguida recebemos também a solicitação do Ministro Carlos Fávaro para verificar as possibilidades reais de implantação do campus. A PROEG examinou o projeto e apresentou algumas observações que foram atendidas. Em seguida acompanhamos o Prefeito, o vice-prefeito, a Secretária Municipal de Educação até Brasília, onde fomos recebidos pelo Ministro da Educação Camilo Santana. A reunião foi solicitada pelo Ministro Carlos Fávaro e contou também com a presença do Senador Wellington Fagundes, da Diretora Administrativa da Conab, Rosa Neide e de toda uma equipe de técnicos da SESU/MEC. Nesta ocasião o ministro Camilo manifestou apoio ao projeto. Os cursos a serem ofertados são: Engenharia de Software, Inteligência artificial, Letras português/inglês, Psicologia e Terapia ocupacional. Está é uma conquista importante para a expansão da Universidade Federal de Mato Grosso.