Pela internet comunidade acadêmica escolhe nesta sexta nome do novo reitor da UFMT; em carta aberta movimento contesta eleições


Eleições
                   
Agência Focaia
Reportagem
Izadora Viana
Júlia Viana

Após a instalação do processo eleitoral para reitoria da UFMT, que ocorrerá nesta sexta-feira (24), grupo de professores e servidores técnicos da Universidade Federal do Mato Grosso, no desenrolar da campanha, se reuniram para a criação do Movimento Base e Democracia - Campus Araguaia.

O grupo entende que o processo em curso, de escolha de reitor e vice, se constitui numa ruptura democrática ao reduzir a participação da comunidade universitária no processo eleitoral, com consulta não paritária, dando mais peso na disputa política, em 70%, para o voto do corpo docente.

Servidores técnicos e estudantes dividem em partes iguais os 30% restantes na escolha da gestão universitária, com mandato que se inicia em outubro deste ano, com encerramento em 2024.


Da esquerda para a direita os candidatos a reitoria da UFMT, Alexandre Machado, Danieli
Artuzi e Evandro Soares. Durante campanha, movimento divulga carta pedido aos candidatos
renúncia às candidaturas, em favor de eleições paritárias e presenciais -imagem:Site RDNews

O documento pede que os postulantes à reitoria retirem suas candidaturas das eleições, na definição de que este não é o momento para a realização de escolhas democráticas para o cargo de gestor da universidade mato-grossense. O movimento avalia que o momento de pandemia, provocado pelo novo coronavírus, cria instabilidade no país com graves crises de caráter sanitário e social, exigindo atenção prioritária.

Mato Grosso convive com superlotação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), neste período. Conforme Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) até a tarde desta quarta-feira (22), já foram notificados 38.931 casos confirmados no estado, com 1.474 óbitosA taxa de ocupação está em 87,96% para UTIs adultas e em

Conforme a carta aberta,  estudantes, técnicos e professores da UFMT foram infectados, inclusive com registro de mortes de pessoas da instituição por Covid-19. Por isso, afirma o movimento, este não é momento de a UFMT realizar o processo eleitoral online, não paritário e em poucas semanas.

O movimento é apoiado por entidades como o Diretório Central dos Estudantes do Campi Cuiabá, Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat), Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos (Neru), quecongrega pesquisadores de diferentes departamentos da UFMT e de outras instituições

Debate dos candidatos

e-mail com envio de perguntas, em datas anteriores aos programas.

As perguntas são ordenadas em forma alfabética, com média de duas perguntas para cada bloco e tempo de resposta de três minutos para cada candidato, com duração de  uma hora para cada bloco.

A caixa de perguntas de professores, passa pelo crivo da comissão para evitar constrangimentos. Os questionamentos dos eleitores são relacionadas por tema, conforme regimento previamente informado.

Ganham destaques temáticas que envolvem políticas de cultura, atividades de extensão e pesquisa, pós-graduação, ensino, mobilidade acadêmica, valorização e capacitação de servidores, financiamento, infraestrutura de gestão e comunicação.

Ocorre hoje (23) o último debate entre os candidatos a reitor, às 18 horas, para finalização da apresentação de propostas para este tipo de atividade. amanhã (24), das 7h30 até 22h30 professores, servidores, incluindo os aposentados, e estudantes depositam seu voto em urna eletrônica virtual, com acesso disponibilizado na página da instituição.


Na próxima segunda-feira (25) a comunidade acadêmica da universidade mato-grossense conhecerá o primeiro nome da lista tríplice que será apresentada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o qual fará, de fato, a escolha do novo reitor da UFMT. Como vem se tornando tradição no atual governo, nem sempre a decisão interna das instituições públicas vem sendo considerada na escolha presidencial, mas por vezes os critérios resultam em acordo à ideológica coerente à governabilidade de política conservadora.

No campus Araguaia na redes social os movimentos estudantes sinalizam apoio a favor de duas chapas "Somos todos UFMT" e "Junt@s somos + UFMT!" lideradas respectivamente pelo do atual reitor Evandro Soares, que tenta manutenção no cargo, e da professora Danieli Artuzi. 

De acordo com a estudante do Centro Acadêmico de Biomedicina do campus Araguaia Gabriella Rocha, “o fato de a eleição deste ano ser a primeira não paritária fere a autonomia e democracia dos estudantes, ainda mais num momento de pandemia em que não é momento de realizar uma eleição online, e sim pensar em modos de conter o novo coronavírus”.

De acordo com a Pró reitoria de Ensino e Graduação (PROPG) e Secretária de Tecnologia Educacional (SETEC) estão aptos ao voto nas eleições 23 244 eleitores, divididos nos segmentos: 2 909 servidores ativos (técnicos e docentes), 1 835 servidores inativos (aposentados técnicos e docentes), 14 956 estudantes de graduação presencial, 834 estudantes de graduação ensino a distancia (EAD), 2005 estudantes de pós-graduação presencial, 488 estudantes de especialização presencial, 217 residentes.

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