Enfim, Lula

Por Antonio S. Silva

O cerco ao ex-presidente Lula é forte, reproduzido pela mídia com mais frequência nas últimas semanas. As reportagens, principalmente dos jornais diários, nem mesmo trazem grandes novidades, muito bem divulgada pelas revistas brasileiras, intensamente por longos anos. Durante os pleitos eleitorais para a presidência em 2010 e 2014, o assunto estava na pauta do dia, por meses, o que não chegou a estragos na imagem do petista.



No entanto, a retomada, com mais intensidade das imagens e suspeitas, com prisões de pessoas em diversas operações, atinge também e com mais ênfase o partido dos trabalhadores, que tem como figura exponencial, o símbolo de Lula.

Em meio a muitas possibilidades de análises, alguma pode ser feita, considerando a repetição das investigações e mediatização dos fatos, que sempre retornam, como assunto nos grandes jornais, que por gravidade chegam a todas meios de comunicação nacionais, como o tema da onda.

Rapidamente, parece consenso popular, é que o ex-presidente está longe de ser um político inocente, de modo a viver como líder da nação e não se beneficiar das regalias do Estado, no sentido de possuir estrutura política para projetos futuros, quando sem o guarda-chuva do poder público.

As negociações com o setor empresarial fazem parte do jogo do poder, bem como com organizações civis, de modo a obter-se apoios políticos e proteção financeira para projetos, os quais exigem altas somas de dinheiro, cujo orçamente nacional está na casa dos Trilhões de Reais. Desta forma, a disputa pelo “amizade” no governo, sobretudo, da principal figura do presidente, deve requerer disputas as mais duras no cenário econômico e financeiro, nacional e internacional.

Assim, pode-se acreditar que há relações diversas, as quais são tensas, difíceis e de segredos. Não deixar rastros seria mesmo impossível, em uma sociedade em que há inimigos os mais diversos, também interessados em obter lugar ao sol, com o símbolo de status e poder do Estado. Principalmente de um país como o Brasil, de dimensões territoriais e riquezas naturais a serem exploradas; além de 200 milhões de habitantes, potenciais consumidores.

Nem tudo é o que parece, portanto, o ex-presidente Collor de Melo apeou do governo com a denúncia da compra irregular de um carro do modelo Elba, que repercutiu na opinião pública. Porém, longe dos carros de luxo, que ostenta o senador nos dias de hoje.

Nesta análise, certamente o que passa na mente de qualquer pessoa atenta é que se procurar vai encontrar alguma coisa ou manter a força da dúvida pairando no ar, de modo que manche a imagem do símbolo lulista. Resta saber qual o tamanho e representação deste objeto, do “descuido” propagado. O mais importante é saber o quanto a divulgação das investigações, com as provas ou não vai desgastar o político e o seu partido, em um governo com crises e desgastes.

Além disso, a quem servirá o enfraquecimento da imagem do ex-presidente, de seu partido e apoiadores? Se na imprensa há matérias de denúncias com “quase” vestígios do crime, o que ocorre nos bastidores resulta no submundo da política, no qual a disputa é mais acirrada lado a lado, e com uso de forças e estratégias. De quando em quando, aos poucos, é possível compreender gritos.

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Professor de Jornalismo UFMT/CUA.

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