A política da política



Por Antonio S. Silva


No Brasil a política vai muito mal. Uma verdade que está à frente dos nossos olhos na TV, nos jornais, rádio e internet, ou melhor, no jornalismo. Esta não é uma realidade publicada somente no Brasil. Importante notar na Argentina, Bolívia, Equador … na América Latina e outros países fora do eixo da economia moderna.




Em contrapartida, nestes mesmos meios de comunicação, o debate sobre eleições caminha com disputas homéricas nos Estados Unidos, onde a democracia e política existem com vigor. Mas será mesmo que é esta a realidade, de maneira honesta? Não seria o caso de observar a política que se faz contra a política representativa?

Se há duas décadas, a América Latina se apresentava como o lugar do ressurgimento dos movimentos contra o poder global, das velhas e ricas nações do centro econômico mundial, o jogo neste tempo que se passa virou. Agora, são os grandes centros que têm o controle da partida e os insurgentes perdem feio, num placar próximo dos 7 a 0, o resultado memorável do jogo entre Brasil e Alemanha, no campeonato mundial, que não se esquece por aqui e será sempre lembrado por lá.

No final, nestas disputas, os brasileiros convivem com o que se vê imediatamente, mas rebolando como dá contra crises sucessivas no mercado, no consumo e emprego – há excessos, devemos aceitar.
Na Bolívia, Evo Morales mostra suas fragilidades, já enfraquecido, apesar da grande popularidade que preserva, devido aos ventos da economia que conduz e estabilidade do país. Mas não conseguiu seu objetivo, o de mostrar ao mundo sua capacidade de dominar a política da sua nação, mesmo depois de três mandatos sucessivos no poder em La Paz. Oportunidade surge para a oposição enfraquecida, quase inexistente. Sobrará tempo e condições para o seu fortalecimento e modificações políticas boliviana.

Na Venezuela, embora nunca tenha sido um bastião de política na paz dos justos, está em profunda crise econômica, com informações de fim do governo deixado por Hugo Chávez, um anti-herói para o consenso internacional. Na Argentina, Mauricio Macri desfaz o governo da família Kirchner, com todas as pompas dos grandes jornais mundiais. Enfim.

No Brasil, talvez nem precisasse dizer os escândalos que sucedem e atingem diretamente o governo petista e o partido dos Trabalhadores. Efetivamente, há mais informações e denúncias que a realidade apresenta no desenrolar dos fatos. Nas reportagens do jornalismo brasileiro o Juiz de primeira instância, Sérgio Moro, torna-se herói, quem se apresenta em todas as ações envolvendo a principal estatal brasileira, a Petrobras.

O que diz o juiz federal se torna rapidamente verdade, com números que embaralham a mente de qualquer cidadão bem-intencionado. Ressalvando todas as questões de interesses de corrupção, que está endêmica em várias etapas do processo público brasileiro e não é de hoje, a política vive momento de oposição ao sistema de fortalecimento do Estado para mais aumento do poder do mercado, e com liberdade plena e ventos fortes.

Logo a Petrobras não terá primazia na exploração de petróleo, como parece ser o desejo do Congresso Nacional, conservador brasileiro, fazendo Getúlio Vargas revirar no túmulo, mesmo depois de ser retirado da história com uma bala política.


Sem delongas, reconhecendo os problemas inerentes à representação pública e democracia, parece haver algo na política que a sociedade da informação desconhece, bem aqui, abaixo da linha do Equador.

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Antonio S. Silva é Jornalista e professor da UFMT/Campus Araguaia.

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