GIBRAN LACHOWSKI

As diferenças entre as manifestações dos dias 13 (sexta) e 15 (domingo)
 POR GIBRAN LACHOWSKI
O Brasil vive uma situação conturbada, com o governo Dilma entre uma movimentação progressista e uma conservadora (de viés golpista). Esta semana – sexta/13 e domingo/15 – os pólos se manifestam em atos públicos espalhados pelo país, o que deve indicar a força efetiva que cada um possui neste instante histórico e denotar a capacidade de influir nas agendas do Congresso, do Executivo e da vida cotidiana da população.

A Manifestação Democrática do Dia 13
De um lado estão centrais sindicais, movimentos sociais, coletivos populares e partidos de centro-esquerda e esquerda, representando um projeto de justiça social, encampado pelos governos Lula e Dilma (apesar de todos os contratempos e todas as contramarchas), que se expressa, por exemplo, na redução da pobreza extrema, na ascensão de milhões de pessoas à classe média, no maior acesso ao ensino superior e na viabilização da casa própria.
Esse ideário é acolhido e difundido pela chamada mídia popular/alternativa/anti-hegemônica, com destaque local para este site. Em nível nacional, aí vão alguns exemplos: www.conversaafiada.com.br,www.rodrigovianna.com.brwww.viomundo.com.brwww.diariodocentrodomundo.com.br e www.redebrasilatual.com.br.
As centrais, movimentos e coletivos defendem a Petrobras e o pré-sal (leia-se política de partilha e conteúdo nacional), ratificando a posição do Executivo. Defendem a Reforma Política a partir de um plebiscito oficial que estimule a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva, dando base e fazendo eco ao que Dilma diz desde 2013. E defendem a revogação das Medidas Provisórias 664 e 665, que restringem direitos previdenciários e trabalhistas (ponto de discordância com o governo).
Entre os organizadores do evento estão: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Central dos Sindicados Brasileiros (CSB), União Nacional dos Estudantes (Une), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Central de Movimentos Populares (CMP), Levante Popular da Juventude, Movimento Nacional das Populações de Rua (MNPR) e Mídia Ninja. Confira a lista completa das entidades emhttp://www.viomundo.com.br/politica/13-de-marco-em-defesa-dos-trabalhadores-petrobras-democracia-e-reforma-politica.html .
A Movimentação do Dia 13 não se coloca em defesa do governo Dilma, mas, sim, em posição de cobrança, ainda que tenha sustentado sua campanha e sido fundamental na reta final do segundo turno da eleição para a presidência no ano passado. Por conta disso e, sobremaneira, por ter nítida compreensão do que representa a democracia para o Brasil, repudia qualquer discussão acerca de impeachment.

A manifestação de viés golpista do dia 15 (com letras minúsculas, de propósito)
É direito de todo cidadão protestar contra ou em defesa do que pensa ser importante, mas chama-se golpismo o ato de decantar a plenos pulmões a derrubada de uma presidenta eleita pelo voto da maioria da população, cuja vitória foi inclusive aceita oficialmente pelo segundo colocado na disputa. E ponto! Não há sequer indícios de atos ilícitos por parte da presidenta, o que ficou explícito na lista apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com os nomes dos políticos supostamente envolvidos na Operação Lava-jato, relativa a malfeitos junto à Petrobras.
Entre os elementos agregadores para o dia 15, conforme panfleto que circula em Rondonópolis (MT), estão a indignação com a corrupção (algo bem genérico, né!?) e com o aumento do preço da gasolina (esqueceram de citar o “diesel dos caminhoneiros”, e logo na cidade-rainha do agronegócio regional, que recentemente protagonizou forte bloqueio em rodovias). Tais pautas mobilizam a insatisfação de considerável parcela da população, preocupada com o bolso e a recente ascensão socioeconômica e orientada por uma turva leitura política do quadro atual.
Entretanto, essas pautas são apenas pretextos de seus organizadores para amplificar sua força e desestabilizar a presidenta. Exemplo disso é o “movimento resistência democrática” (com minúsculas também de propósito), que assina o panfleto em Rondonópolis, pois não menciona seu intento golpista na convocatória, porém assume o desejo antidemocrático em entrevista ao jornal “A Tribuna”, de 05 de março (http://www.atribunamt.com.br/2015/03/movimento-se-prepara-para-ato-fora-dilma/).
Os mobilizadores do evento em nível nacional, pouco conhecidos e sem raízes populares, como os virtuais “Vem para a rua”, “Movimento Brasil Livre”, ”Revoltados Online” e “Intervencionistas Independentes”, são ladeados por partidos pragmaticamente de direita, sobretudo o PSDB, o PPS e o Dem. Contam, obviamente, com o apoio irrestrito da mídia suja e ainda grande. Os grupos “Globo”, “Folha”, “Estadão”, “Abril” e “Bandeirantes” ajudam a ecoar diariamente inclusive o desejo de intervenção militar, ou seja, o desejo de retorno à ditadura.

Portanto…
Há diferenças facilmente perceptíveis entre os movimentos do Dia 13 e do dia 15. E o que está em jogo, cada vez mais, é o vigor da democracia do nosso país. Os sujeitos sociais começam a se posicionar mais explicitamente. A oposição esquerda/direita, aos poucos, recupera sua simbologia.
Os próximos passos vão revelar qual a força de organização, elaboração e engajamento “das esquerdas” nesse enfrentamento ideológico, que busca, acima de tudo, avançar da democracia representativa para a participativa, o que inclui uma Reforma Política Popular, tendo como cláusula fundamental o fim do financiamento privado (ou empresarial) de campanha. Sigamos adiante, até a vitória… sempre!

Gibran Luis Lachowski, jornalista, professor universitário e militante de movimentos sociais em MT

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