por Barbara Muller

A informação é um bem valioso. Uma frase atribuída ao administrador norte-americano John Naisbitt resume muito bem sua importância: “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”.

A necessidade de se sentir bem informado sobre algum assunto em especial é presente no nosso cotidiano. Esse assunto pode ser a valorização de um imóvel, a guerra em um país distante, a data do próximo show de uma banda ou até mesmo qual é a dieta que determinada celebridade segue. O fato é que todos nós precisamos de informação para produzir mais no trabalho, nos estudos e aproveitarmos nossos momentos de lazer.

Mas para que se tenha certeza da venda do imóvel, do fim da guerra, da data do show e da eficiência da dieta, a informação tem que vir de uma fonte confiável. Para a sociedade, os jornais [impressos, radiofônicos ou televisivos] sempre foram essa fonte confiável, através dos quais se espera um retrato fiel da realidade. Entretanto, a chamada “imprensa tradicional” tem sido muito questionada pela própria sociedade quanto ao que publica e, principalmente, ao que deixa de publicar.

Aos jornalistas e editores foi dada a missão de refletir a realidade, passando aos leitores, ouvintes e telespectadores aquilo que é de interesse público [informação de utilidade pública] e também o que é de interesse do público [aquilo que as pessoas desejam saber: entretenimento, por exemplo]. Segundo Leonel Azevedo de Aguiar, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro [PUC-RJ], o jornalista não somente transmite a realidade, mas também ajuda a construí-la, sendo um “mediador social”. 

Para ele, o jornalismo atual não pode ser compreendido, se não forem levados em conta os dois polos que o compõem: o polo econômico e o polo político. O primeiro faz referência ao jornal como empresa, que vende a notícia e pretende obter lucro com ela. O segundo faz alusão à missão de transmitir aos leitores conteúdo que possa realmente fazer diferença na sociedade. Não é fácil conciliar os dois aspectos, e quando há uma divergência grande entre os interesses do jornal e da sociedade, quem sai perdendo é o público. 

Para exemplificar as questões contemporâneas que colocam em xeque a credibilidade da imprensa clássica, Leonel Azevedo, em sua palestra Jornalismo e midiativismo: transformações contemporâneas nas práticas profissionais, dá o exemplo da Mídia Ninja.
 
Pablo Capilé e Bruno Torturra, idealizadores da Mídia Ninja, participaram do programa Roda Viva, da TV Cultura, em 05_ago_2013  [Foto: www.frombrazil.blogfolha.uol.com.br]
A Mídia Ninja se define como “uma rede de comunicadores que produzem e distribuem informação em movimento, agindo e comunicando”. São os chamados “midiativistas” ou “ninjas”, um grupo de pessoas que se preocupa em passar as notícias sem a influência da publicidade e de outros interesses políticos e econômicos que são frequentes nas redações da imprensa clássica. O uso da Internet por parte do grupo é muito expressivo, trazendo a quebra de paradigmas na objetividade jornalística: na mídia tradicional, cumprem-se as etapas de apuração, redação e edição; já na Mídia Ninja essas etapas não precisam ser necessariamente cumpridas, já que há muita transmissão ao vivo e a interpretação é deixada a cargo do espectador.

Definindo midiativismo como o “uso das redes sociais e Internet por causa de um engajamento político, ambiental ou social”, o professor Leonel Aguiar destaca que essa é uma nova forma de fazer jornalismo, e não necessariamente uma maneira de se opor a ele. Os midiativistas usam as tecnologias disponíveis, muitas vezes baratas e ao alcance de quase todos, para passar uma visão diferente daquela transmitida pelos grandes veículos de comunicação, incentivando a pluralidade de opiniões e pontos de vista. 

Mas é necessário que se tenha cautela. Como o próprio professor diz, “eles [os midiativistas] questionam a objetividade jornalística, mas acreditam que a lente do meusmartphone vai demonstrar o que, de fato, está acontecendo”. Ele lembra que não há neutralidade na língua, e ao produzir um texto, verbal ou não, todos necessitam hierarquizar informações, e “hierarquizar é tomar partido”. Os “ninjas” acabam por cair na mesma armadilha que os jornalistas tradicionais.
Pela possibilidade de fugir de alguns constrangimentos organizacionais presentes na mídia tradicional [como a linha editorial e a influência dos patrocinadores], essa nova mídia alternativa traz um exemplo do sujeito que não é somente espectador, mas também produtor e distribuidor de informação. Assim como o jornalista, ele passa a ser um mediador social. Por causa dessa pluralidade de discursos é possível ver o jornalismo como campo de produção do conhecimento e também de embates sociais.
Ao concluir a palestra, Leonel Aguiar, que também é coordenador do curso de Comunicação da PUC-RJ, lembra que temos a necessidade de mudar a forma que fazemos jornalismo, e ainda ressalta que a pluralidade de opiniões em evidência é fundamental para uma sociedade democrática.

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