Quer xingar, pague por isso

Por Nilson Lage *


Não quero ser tão execrado quanto o Fidelix nem tão cultuado quanto a Genro, mas acho que o Estado não tem que legislar sobre a vida sexual das pessoas.


O que deveria existir é o direito de as pessoas se unirem umas às outras conforme seus interesses, na extensão e número que lhes convier, se é que querem dividir bens e serviços. Como vão gerir essa união, o que farão na intimidade dela, é coisa da vida privada.


Casamento deveria ser opção religiosa ou prática social de forte tradição.


Cabe ao Estado, sim, regular e fazer valer os contratos, zelar para que não fraudem ou se beneficiem irregularmente da Previdência, e proteger, em qualquer caso, os que precisam ser protegidos - crianças e desvalidos por doença ou velhice.


Agressões e abusos de homossexuais, mulheres, crianças, velhos e desprotegidos em geral devem ser punidos criminalmente com o pesado agravante da covardia, onde e quando houver.


A violação do princípio da igualdade de direitos é inadmissível, mas o combate aos preconceitos se faz, a meu ver, com educação e, sobretudo, com o uso articulado do meios de comunicação que, a começar pela publicidade, impõem ao país o racismo mais asqueroso, a distinção de classe mais acintosa e não param de reforçar estereótipos sexistas.


Desaforo, penso, se deveria resolver na justiça cível, segundo o princípio "quer xingar, pague por isso".


* Texto publicado com autorização do professor Nilson Lage.

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