Praticamente toda criança brasileira com idade entre 6 e 9 anos filha de pai ou mãe que usa internet está conectada, e mais da metade delas está no Facebook, segundo um estudo feito pela empresa de cibersegurança AVG.

A pesquisa, baseada em 5.423 entrevistas on-line com pais de nove países além do Brasil, realizadas em dezembro último, será divulgada globalmente na quarta-feira –a Folha teve acesso exclusivo à íntegra dos dados. Seiscentos pais ou mães foram entrevistados no país.

Cerca de 49,1% dos brasileiros com 10 anos ou mais, ou 86 milhões de pessoas, usam a internet, diz o IBGE.

A proporção do uso infantil de internet por aqui, de 97%, é alta, mas destoa pouco da média dos outros países pesquisados, de 89%.

Já em relação à presença de crianças no Facebook (a rede estabelece idade mínima de 13), a taxa brasileira, de 54%, é mais que o triplo da dos demais (16%) e nove vezes superior à da Austrália.

Editoria de Arte/Folhapress
"Vemos que os dados para o uso da tecnologia são mais altos no Brasil que em qualquer outra parte do mundo", diz Tony Anscombe, executivo de segurança da AVG.
Para ele, há a necessidade de educar pais sobre a necessidade de restringir o uso que a criança faz do PC e de dispositivos móveis, para evitar problemas de privacidade.

"A criança pode, querendo ou sem querer, entrar em um site e fazer uma compra", diz. "Imagine se meu filho acessa o aplicativo de e-mail, o do banco, publica uma foto errada –ele pode devastar minha vida profissional."

Segundo ele, esse tipo de situação é comum por causa do ato de ceder aparelhos a filhos a fim de entretê-los.
Anscombe está de passagem pelo Brasil para divulgar um livro digital da AVG sobre o tema, "Proteja Nossas Crianças e Jovens".

Para a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, a privacidade das informações da criança é um dos principais problemas do uso irrestrito da internet.

"Funciona como na vida: o pai não deve deixar uma criança de 6 anos fazer certas coisas sozinha", diz. "Os pais devem acompanhar o uso da internet e impor limites, como permitir uma só foto no Facebook."

A internet, segundo Ruffo, não causa o problema, mas pode amplificá-lo, como no caso do bullying virtual.

"Quando a criança é provocada na escola, dá o horário e acabou. Já pela internet, aquilo invade a casa, e ela não sabe o que fazer."

Apesar de considerar que o contato com a tecnologia seja necessário para a educação e a vida profissional desde cedo, diz que acha "errado uma criança com menos de 10 anos ter seu próprio tablet, seu próprio celular. Ela não tem maturidade."

Leia a íntegra na Folha de S. Paulo

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