Possibilidades Ninja!

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Em meio a uma série de movimentos que tomaram conta das cidades brasileiras nos últimos meses, surge uma onda raivosa que vem direcionando as suas críticas aos grandes meios de comunicação de massa. Cartazes com frases de efeito vem sendo utilizados para demonstrar o repúdio que uma determinada camada da população diz sentir pela cobertura que rádios, jonais, revistas e, principalmente, a TV vem fazendo ao longo dos anos.  Em clima de muita tensão, repórteres vem sendo agredidos, carros de reportagem apedrejados e sede de algumas emissoras invadidas. Os alvos são apenas a representação de um modelo de imprensa que está em xeque.

Natural que em meio a um momento de muitas reflexões e certo caos ideológico surjam movimentos que se posicionem de forma alternativa ao que está preestabelecido, ao mainstream. Engajado há mais de 1 ano, o grupo Midia N.I.N.J.A (Narrativas Independentes Jornalismo e Ação) vem ganhando força. Ao que parece, trata-se de o grupo formado por pessoas (boa parte jornalista) que se dispõe a fazer a cobertura de alguns dos mais importantes eventos de forma independente, sem edição de imagens/som, sem dispor de grande estrutura física ou tecnológica ou ainda contratos comerciais. Por isso mesmo, acredita mostrar os fatos mais próximo daquilo que chamam de verdade. Por mais que saibamos que isso também é bem questionável!Em suas ações, utilizam gadgets como celulares, tablets, computadores e, claro, acesso a internet.

Movimentos semelhantes ao do grupo já foram registrados em outros países. A diferença é que esse histórico relata ações que combatem a políticas e Estados autoritários, a restrição da libertade de expressão, a censura. No Brasil, o movimento parece se opor a cobertura midiatica cuja tendência é  a de favorecer grandes grupos políticos e/ou comerciais que precisam mobilizar a opinião pública para atingir objetivos particulares.

Apesar da sua recente história, o grupo já contabiliza alguns percalços e prisões e também números expressivos que aferem visibilizade aos materiais produzidos e publicados por meio da internet. Nos últimos dias um dos seus líderes foi preso acusado de terrismo. Poucos dias depois foi libertado por ter sido vítima de um flagrante forjado. Em poucos minutos, em sites e sites de redes sociais, pessoas passaram a associar as ações do grupo e também os seus membros a partidos ligados ao governo e a ONGs beneficiadas por verbas públicas etc.

Em meio a esse complexo contexto de verdades e mentiras, três principais fatores me chamam atenção:
1)      A tomada de consciência crítica em relação a alguns valores estabelecidos e que, ao que tudo indica, vem sendo fortalecidos pela cobertura midiática massiva;
2)      O crescimento no número de iniciativas que se utilizam de simples recursos tecnológicos para promover narrativas independentes e, da sua maneira, obter algum êxito em suas investidas;
3)      A utilização dos SRS para manipular interesses de grupos específicos, sejam eles da situação ou oposição. Grupos que utilizam da possibilidade de anomimato proporcionada pela internet e vem promovendo uma desinformação generalizada. A estratégia é curisosa, pois vai totalmente de encontro a função primária dos meios de comunicação que é informar.

Ao que parece, as NTC ainda proporcionam uma série de dúvidas e incertezas. Acredito que estamos vivenciamos um momento de transformação e de experimentação de novos formatos produzidos com recursos mais simples e por meio de novas narrativas. A Mídia Ninja, com seus objetivos puros ou impuros,  representa apenas o começo de um novo pensar midiatico. Será?

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