Leonardo Sakamoto



Publiquei uma lista com dez recomendações para fazer jornalismo nas redes sociais. Nesses últimos dias, contudo, vi coisas com estes olhos que a terra há de comer que me fizeram perder um pouco da fé que deposito no ser humano.
O pessoal desistiu de checar informação, pura e simplesmente. OK, antes muita gente já tinha ojeriza a isso – por preguiça, incompetência ou má fé – a tríade que sustenta o mau jornalismo. Mas, agora, impulsionado pelo poder de difusão das redes sociais e com a entrada, nos últimos anos, de novos atores em cena, parece que constatar a veracidade de determinada informação antes de compartilhá-la virou atentado violento ao pudor. Checar é coisa do capeta.
Dia desses, um conhecido me cantou uma bola e pediu para divulgá-la. Minutos depois, mandou uma mensagem perguntando se não ia postar no blog. Pedi um tempo e expliquei que estava verificando se a informação procedia. Possesso com minha “desconfiança”, disse que ia passar a outra pessoa. Não foi a primeira vez, nem será a última. Com isso, já me salvei de burradas homéricas, mas também já perdi “furos”. Como não encaro minha profissão como roleta russa, prefiro o risco de perder o ineditismo a perder a cabeça.
Esse, que é um dos grandes dilemas do jornalismo, vai ganhando contornos épicos, cômicos e dramáticos com a popularização dos meios de comunicação em rede.
Como saber se uma informação está incorreta? Bem, às vezes você não tem como saber de antemão, por isso é importante checar sempre, independente da fonte. Ou, pelo menos, citar de onde ela veio de forma a não transformá-la em boato e garantindo que o fuinha que a divulgou seja devidamente responsabilizado em caso de notícia falsa.
Separar joio do trigo demanda também jornalistas bem informados e, mais do que isso, bem formados. Que consigam olhar para algo e nele cravar um ponto de interrogação ao invés de exclamação. Acúmulo que não significa banco de escola, faculdades ou cursos. Já vi jornalistas em rádio comunitárias no interior do Maranhão que eram melhores do que colegas diplomados. O hábito não faz o monge – ou o jornalista. Mas se a pessoa aceita atuar de forma crítica e ética, sim.
Jornalão que confia cegamente em fontes governamentais e publica contos de fada, depois difundidos pelas redes. Jornalistas de mídias alternativas que não verificam se determinada história é verdade e, por caber em sua visão de mundo, a circula loucamente como um telefone sem fio. É gente que não checa direito se houve ou não aperto de mão e sai xingando até os gnomos da floresta. E quando aparecem os desmentidos, são uma nota de canto de página ou um link perdido no meio do nada, envergonhados ou arrogantes, quando muito. Correções que ninguém verá.
Se você é daqueles que não leem coisa alguma e dizem que não tem tempo, nem paciência para isso, e, além do mais, acham que senso crítico é uma besteira, mas adoram curtir, compartilhar e retuitar tudo o que passa pela frente, feito um chimpanzé com cãimbra, por favor, dedique-se apenas à divulgação de tumblr de gatinhos que se assustam com mordidas de tartarugas, fotos de pugs em fantasias vexatórias para a alegria de seus donos e memes com lições de vida de alguém que passou por uma grande provação e tem o objetivo de levar às lágrimas.
Mas abstenha-se de transmitir informação que pode causar dano a alguém. Ou, como dizem meus amigos: não sabe brincar, não desce pro play.

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