Por Ludmila Calheiros - Colaboradora


CadaMinuto
Fernando Nunes e Nathália Conrado
Crédito: CadaMinuto


Coordenadores do programa culpam a mídia e projeto ganha repercussão

Todo o bom jornalista precisa ter a capacidade de perceber novas histórias a serem trabalhadas ou caminhos diferentes para assuntos já abordados. Dois acadêmicos de jornalismo de uma faculdade de Maceió apreenderam bem essa lição e durante a produção de uma matéria sobre meio ambiente, começaram a se inquietar pela situação da violência no Estado. A pesquisa que eles tinham em mãos apontava que a maior preocupação dos jovens alagoanos era com o alarmante número de homicídios registrados. Ao buscarem um foco para abordarem no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) surgiu a ideia, fazer um documentário sobre o primeiro ano de execução do programa Brasil Mais Seguro.

Fernando Nunes e Nathália Conrado sabiam que a tarefa não seria das mais fáceis, mas apostaram no projeto. Era preciso fazer a ideia ganhar vida, planejar bem como se daria o processo de construção do documentário ‘O Outro lado do Paraíso: A Maceió do Brasil Mais Seguro’. Orientados pela professora Rachel Fiúza, depois de se fundamentarem com várias pesquisas sobre o tema, os acadêmicos começaram a escolher quem poderia falar sobre o assunto. As primeiras pessoas a serem ouvidas foram exatamente aquelas que seriam as beneficiadas com a implantação do plano, a população.

“Fomos às ruas perguntar se as pessoas conheciam o programa Brasil Mais Seguro, as respostas eram sempre as mesmas, ou não conheciam ou sabiam muito pouco. Percebemos então que era preciso fazer o documentário em um formato e com depoimentos que dessem essa explicação. As melhores pessoas que poderiam falar sobre o plano de forma oficial eram justamente as que o coordenavam aqui em Alagoas, o Secretário de Estado da Defesa Social, Dário César e a Secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki. Pensamos que seria muito complicado chegar até eles, mas tudo correu bem e tanto o secretário como a secretária concederam entrevistas para o documentário falando sobre o que é o programa, quais os recursos investidos, os problemas enfrentados, os resultados, além de responder dúvidas das pessoas que entrevistamos na rua”, explicou Fernando Nunes.

O programa Brasil Mais Seguro foi implantado em 27 de junho de 2012, com o objetivo de reduzir os índices alarmantes de homicídios registrados em todo o Estado, o colocando como o mais violento do país há treze anos. Os números caíram nesse primeiro ano de implantação, mas ainda estão muito acima do nível considerado tolerável. De julho de 2012 a maio de 2013, 1945 mortes foram registras, enquanto que de julho de 2011 a maio de 2012 foram 2141 homicídios. No documentário, o secretário Dário César explica que essa condição de principal estado do país em violência trouxe o plano a Alagoas.

“Esses índices apontam que o Estado era o mais violento do Brasil a mais de uma década. É bom ressaltar que Alagoas não registrava o maior número de mortes, mas o maior número por cem mil habitantes, precisávamos mudar essa situação,” revelou o secretário sendo complementado pela secretária Regina Miki, que ressaltou que, outros fatores como o número de jovens negros mortos e de jovens cometendo os homicídios, além dos inquéritos parados foram decisivos em implantar o programa.

Mas você lembra que o Fernando revelou que a grande maioria dos entrevistados desconhecia o plano? Os acadêmicos sentiram então, a necessidade de ouvir pessoas que pudessem explicar de alguma forma qual o motivo dessa situação de desconhecimento. Nathália contou que durante o processo de ouvir pessoas que perderam vítimas para a violência o que mais lhe chamou a atenção era uma opinião comum a todas, onde elas diziam que não viveram em nenhum momento o plano.

“De uma forma geral, as pessoas nas ruas relatavam perceber a presença de helicópteros e mais viaturas, mas simplesmente achavam ser mais uma operação policial. Alguns relacionavam com o programa do desarmamento. Já essas pessoas que sofreram a violência de perder um ente querido disseram viver e não sentir o Brasil Mais Seguro,” disse a acadêmica, ressaltando que para apontar os possíveis motivos para toda essa violência o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol- AL), a coordenadora da ONG Erê e uma socióloga também foram entrevistados.

No depoimento dado ao documentário, o presidente do Sindpol, Josimar Melo, acredita que os jovens não tem oportunidade na sociedade e por isso acabam sendo recrutados para o tráfico. Os problemas decorrentes dessa opção resultam em homicídios. A opinião é compartilhada pela coordenadora da ONG Erê, Graça Souza. Fazendo um trabalho de acompanhamento na Vila Brejal, ela traça um perfil da comunidade e ressalta que a baixa condição de vida acaba empurrando até mesmo crianças para as ruas, onde elas estão propensas a aprender a cometer atos ilícitos e num futuro serem autores ou vítimas da violência. A socióloga, Ruth Vasconcelos, não acredita que o alagoano seja violento e atribui a situação ao processo social e cultural construído historicamente através de atos brutais, como o próprio processo de colonização do Brasil.

Mas sem dúvida, os depoimentos que mais chamaram a atenção foram os que o secretário Dário César e a secretária Regina Miki, atribuíram grande parte da violência registrada e a descrença da população no plano, a mídia. Segundo eles, os meios de comunicação no Estado, por serem em grande parte, de propriedade de pessoas ligadas a política, manipulam a opinião pública. As declarações fizeram o documentário ganhar grande repercussão e logo após sua apresentação no último dia 11, Fernando e Nathália passaram a ser convidados para conceder entrevistas, como a que você vai acompanhar no vídeo a seguir.




Clique nos links abaixo e assista o documentário completo.
O Outro Lado do Paraíso - A Maceió do Brasil Mais Seguro (Parte 02)

Fonte: CadaMinuto

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