Política
Universitária
Agência Focaia
Redação
Júlia Tinan
Estudantes se manifestam em clara rejeição ao projeto Future-se durante assembleia
universitária. Foto: Reginaldo Araujo.
universitária. Foto: Reginaldo Araujo.
A Universidade Federal de Mato
Grosso promoveu muitas reuniões neste mês de novembro para deliberar sobre a adesão da proposta política do governo sobre mudanças no ensino superior brasileiro,
exigindo posicionamento de cada instituição. No último dia 5, a
comunidade acadêmica dos cinco campi se reuniu em assembleia e no dia seguinte
ocorreu nova reunião, desta vez dos Conselhos Superiores da universidade.
Em pauta acadêmica nas duas
ocasiões o Future-se, proposta do governo federal que visa aumentar a participação das empresas na universidade pública, que ao final foi rejeitada.
Os membros dos Conselhos Superiores (Diretor, Ensino, Pesquisa e Extensão e Universitário) formaram Comissão Conjunta para estudar com detalhes o documento do Ministério da Educação (MEC) em busca de decisão. Após análise envolvendo as representações da universidade mato-grossense foi elaborado relatório com as impressões dos conselheiros sobre a proposta.
De acordo com a professora
Sandra Negri, que participou da comissão como representante do Instituto de
Ciências Humanas e Sociais (ICHS) do Conselho de Pesquisa e Extensão (CONSEPE), avaliação inicial foi para análise do "documento que o MEC apresentou para nós
entendermos primeiro o que era o documento, do que se tratava, e quais as
finalidades do Future-se, depois entender se era interessante para UFMT ou
não”.
A comissão se dividiu em grupos
e cada um ficou com uma parte do documento para estudar e apresentar relatório.
“Discutimos artigo por artigo, entendemos todas as 17 leis que o Future-se
pretende modificar para que ele entre na legislação brasileira”, afirma Negri.
O documento apresenta o relato
da comissão sobre os três eixos do Future-se. Gestão, Governança e
Empreendedorismo; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e Internacionalização.
Ao final de todas as
reuniões e estudos “sobre o Programa constata-se a tentativa de inserir a
lógica privatizante e mercadológica do projeto econômico-político em curso no
país, contrariando o caráter público da Educação, bem como o sentido social e
político das universidades, como instituições estratégicas para o desenvolvimento
e soberania do país”, relata a comissão no relatório, rejeitando a participação
da Universidade Federal de Mato Grosso na proposta de política para o ensino
superior do governo Bolsonaro.
Para o professor Odorico
Ferreira Cardoso Neto o documento do governo apresentou muitas lacunas e ataca
a autonomia da universidade pública. “A ideia da autonomia da maneira que o
projeto está colocado macula o viés democrático das decisões que a universidade
toma, pra dizer o que ela vai fazer, com quem vai fazer e que estrutura ela
tem”, destaca Cardoso Neto.
Além disso, o professor se diz
preocupado com o futuro das universidades do país caso propostas como o Future-se seja
implantado. Ele afirma que a política educacional com este objetivo vem para tornar mais distante a
entrada de pessoas com baixa renda nas universidades públicas.
Conforme afirma Flavia
Giordano, presidente do atual Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Campus
Araguaia, os estudantes também realizaram reuniões, primeiramente internas para
discutir o Future-se, e, depois, em assembleia aberta para a discussão conjunta
com os centros acadêmicos (CA) de cada curso da UFMT/CUA.
“Foram montadas comissões
para o entendimento aprofundado do que foi proposto. Até o momento o DCE se
posiciona contrário ao projeto”, destaca Giordano sobre a decisão estudantil do
campus da universidade mato-grossense.
