Por antonio Silva
A morte de Eduardo Campos (PSB) gera uma comoção nacional, diante da sua importância pública e determinação para enfrentar as disputas entre as atuais elites políticas nacionais. Sem dúvida o Brasil perde um nome para a representação popular, em meio às dificuldades de surgir símbolos políticos legitimados pela opinião pública brasileira. No entanto, o Brasil oficial e burocrático comovido continua sua batalha na melhor escolha de líderes eleitorais.
A entrada de Marina Silva na Campanha, na coligação em que o PSB encabeça, dará novos contornos ao cenário e modificará os números das pesquisas futuras – sempre apareceu na casa dos 20% do eleitorado neste pleito.
Dois pontos básicos, a candidata tem postura ideológica diferente de Campos, que se aproximou dos tucanos para impedir a reeleição de Dilma Rousseff(PT) no primeiro turno, mais bem posicionada no pleito, e com as chaves do planalto. Como consequência, Marina deverá colocar em questão as alianças em alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais, ninhos tucanos. Haverá crises e rearranjos.
As perdas serão maiores para o candidato Aécio Neves, porque terá mais uma rival, na região sudeste, que sai em busca de votos, cujos eleitores, muitos deles, assinalam com os tucanos por falta de opção, que agora pode surgir com a nova postulante a cadeira de presidente. Campos com boa aceitação no nordeste deverá abrir mais terreno para a candidata petista.
Um dos pontos complicados nas eleições será os relativos à representação da grande indústria, setor financeiro e agronegócio. Campos sempre sinalizou em favor de ceder aos interesses neoliberais, chegando a dizer que se a elite econômica desejasse obter alguma vantagem nestas eleições com Aécio Neves, deveria também investir no Peessedebista.
Marina Silva está longe desta convicção, ressalvando suas propostas para o mercado financeiro e agronegócio, promovendo um acirramento desta elite econômica em apoio aos tucanos, como sempre fez no Brasil dos atrasados e modernos. Não são lideranças para muitos votos, em conformidade com suas propostas de fim do estado de bem-estar-social, que Aécio já vem promovendo em seu discurso e um dos complicadores de sua campanha.
Fato que agora em diante será um novo cenário político para as eleições presidenciais, entrando na sua parte mais decisiva. Não deve descartar a fatura ainda no primeiro turno, o que vai depender da performance política de Marina Silva de sinalizar para as classes baixas e médias brasileiras.
Há neste meio a religião com peso em favor da candidata do PSB e, para além disso, resta saber de sua capacidade de organizar a casa, considerando a pressão dos tucanos e a direita forte que faz parte da coligação e partido Socialista Brasileiro. Sempre considerando que o partido de Marina extraoficialmente é a REDE.
***
Antonio Silva é Jornalista e professor da UFMT - Campus Araguaia.
A morte de Eduardo Campos (PSB) gera uma comoção nacional, diante da sua importância pública e determinação para enfrentar as disputas entre as atuais elites políticas nacionais. Sem dúvida o Brasil perde um nome para a representação popular, em meio às dificuldades de surgir símbolos políticos legitimados pela opinião pública brasileira. No entanto, o Brasil oficial e burocrático comovido continua sua batalha na melhor escolha de líderes eleitorais.
A entrada de Marina Silva na Campanha, na coligação em que o PSB encabeça, dará novos contornos ao cenário e modificará os números das pesquisas futuras – sempre apareceu na casa dos 20% do eleitorado neste pleito.
Dois pontos básicos, a candidata tem postura ideológica diferente de Campos, que se aproximou dos tucanos para impedir a reeleição de Dilma Rousseff(PT) no primeiro turno, mais bem posicionada no pleito, e com as chaves do planalto. Como consequência, Marina deverá colocar em questão as alianças em alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais, ninhos tucanos. Haverá crises e rearranjos.
As perdas serão maiores para o candidato Aécio Neves, porque terá mais uma rival, na região sudeste, que sai em busca de votos, cujos eleitores, muitos deles, assinalam com os tucanos por falta de opção, que agora pode surgir com a nova postulante a cadeira de presidente. Campos com boa aceitação no nordeste deverá abrir mais terreno para a candidata petista.
Um dos pontos complicados nas eleições será os relativos à representação da grande indústria, setor financeiro e agronegócio. Campos sempre sinalizou em favor de ceder aos interesses neoliberais, chegando a dizer que se a elite econômica desejasse obter alguma vantagem nestas eleições com Aécio Neves, deveria também investir no Peessedebista.
Marina Silva está longe desta convicção, ressalvando suas propostas para o mercado financeiro e agronegócio, promovendo um acirramento desta elite econômica em apoio aos tucanos, como sempre fez no Brasil dos atrasados e modernos. Não são lideranças para muitos votos, em conformidade com suas propostas de fim do estado de bem-estar-social, que Aécio já vem promovendo em seu discurso e um dos complicadores de sua campanha.
Fato que agora em diante será um novo cenário político para as eleições presidenciais, entrando na sua parte mais decisiva. Não deve descartar a fatura ainda no primeiro turno, o que vai depender da performance política de Marina Silva de sinalizar para as classes baixas e médias brasileiras.
Há neste meio a religião com peso em favor da candidata do PSB e, para além disso, resta saber de sua capacidade de organizar a casa, considerando a pressão dos tucanos e a direita forte que faz parte da coligação e partido Socialista Brasileiro. Sempre considerando que o partido de Marina extraoficialmente é a REDE.
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Antonio Silva é Jornalista e professor da UFMT - Campus Araguaia.
