Prêmios recebidos no Festival de Gramado representam maturidade e profissionalismo na produção do cinema regional, diz professor
Cinema
Mariana Pimentel
A conquistou do documentário “Divino: Sua Alma, Sua Lente” na 54° edição do Festival de Cinema de Gramado, com dois Kikitos nas categorias de "melhor montagem" e "melhor filme eleito pelo júri popular", ganhou reconhecimento especialmente na mídia e comunidade acadêmica regional.
A película premiada foi
produzida em Barra do Garças (MT), em parceria com o Núcleo de Práticas Digitais
(NDP) da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Araguaia, coordenado pelo professor cineasta Gilson Costa, com direção da
jornalista egressa do curso de Jornalismo da UFMT Araguaia, Clea Torres. O
documentário descreve a trajetória do também cineasta indígena Divino Tserewahú
da comunidade Xavante.
Professor Gilson Costa ao lado de Nathalia Gonçalves, Clea Torres e professora Yandra Firmo, durante comemoração no Festival de Gramados pela premiação do documentário: "Divino: Sua Alma Sua Lente" - imagem Edison Vara/ Agência Pressphoto/reprodução. |
"O prêmio
representa muito porque demonstra uma certa maturidade do nosso trabalho na
região do Araguaia, enquanto produção audiovisual do interior de Mato Grosso. Demonstra o profissionalismo da produção, e, acima de tudo, um cuidado especial no
tratar do tema com o povo Xavante".
O Festival de Cinema de
Gramado realizado desde 1973, está entre os principais eventos
cinematográficos do país, reunindo inúmeras produções nacionais,
latino-americanas e ibero-americanas.
Para além da produção, diz o
professor, o alcance do filme se deu devido a forma como foi trabalhado o
documentário, na abordagem de narrativa fílmica que valoriza o olhar da
comunidade Xavante.
"Acredito
que o filme conseguiu esse alcance porque foi feito de forma partilhada com a
comunidade Xavante, em especial com a comunidade de Sangradouro, e isso dá uma
certa legitimidade e leveza para o filme, porque não é só o não indígena
falando do indígena, mas sim o não indígena falando em conjunto com o
indígena", diz Costa.
Conforme acrescenta, a
conquista dos prêmios simboliza um avanço crucial para o cinema mato-grossense,
trazendo visibilidade e impulsionando a circulação das histórias dos povos
indígenas.
Foco na cultura indígena
O Curta foi produzido na Terra
Indígena de Sangradouro e acompanha o cineasta Divino Tserewahú, revelando suas
vivências e seu trabalho, além de arquivos e memórias; retratando ao final aspectos da cultura do povo Xavante. A
produção, portanto, contou com equipe profissional diversa, composta tanto por
indígenas, quanto por não indígenas.