Monopólio das mídias no Congresso


Por Antonio Silva

As transmissões de eventos ao vivo, pelo canal YouTube, como é o caso do carnaval de Salvador, vai criando questionamento sobre o novo modelo de televisão no mundo, como consequência no Brasil. Com a chegada dos novos aparelhos conectados à rede on-line, sempre com mais qualidade de transmissão, ganham mais espaço as novas mídias.

No Brasil, a própria Rede Globo, o veículo de maior audiência, começa a sentir a concorrência, depois de décadas de monopólio das mídias brasileiras.

Certamente, nem todos os brasileiros tem acesso à internet, o que não quer dizer que será uma condição eterna, mas ao contrário. Em algumas cidades, já se desenvolve projeto de acesso à rede em comunidades, em condomínio fechados, com sinal aberto. O futuro da comunicação ainda é incerto, mas o fato é que haverá transformações, que levará a modificações profundas nas trocas de informações. A rede social é uma realidade.

Mas um ponto precisa ser observado pelos brasileiros, a votação do Marco Civil da internet, que será reiniciado esta semana. Pois, conforme a sua deliberação pelo Congresso Nacional, será a condição de mais acesso a informação, hoje um bem de primeiríssima necessidade.

Como os parlamentares brasileiros tem relação muito próxima com as grandes redes de comunicação e empresas ligadas ao setor, não será difícil imaginar para que lado pende as decisões da casa em Brasília.

A pressão da sociedade é fundamental. Nas mídias, seus porta-vozes não cansam de questionar a estrutura da rede de internet, ou mesmo tocar o terror contra o projeto de legalização da liberdade de acesso à rede. O brasileiro deve estar acostumado com as intervenções política em favor das grandes empresas de comunicação no Brasil, mas deve fazer valer o interesse público.

O grande desejo dos empresários do setor privado, que oferece o serviço de internet  e, sobretudo, as grandes redes de comunicação brasileiras, é elitizar o acesso à rede, o que seria deplorável – os pobres ficariam com menos quantidade de acessos, numa espécie de segregação econômica.

Não se deve fazer da comunicação um monopólio, assim como a compra de canais fechados de televisão, quando se adquire pacotes.

Os mais específicos e com mais procura, mais caros. Neste sentido, o valor do acesso ao Facebook teria um valor, para o e-mail outro valor. Não é razoável e muito menos justo, com milhares de brasileiros.

Portanto, fazer política, ao contrário do que se pensa, é indispensável para salvaguardar interesses públicos. Nem todos os parlamentares são bem intencionados e eleitos somente com o apoio popular, mas recebem investimento de grandes conglomerados, inclusive os das mídias, para se elegerem.

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Antonio S. Silva é Jornalista e professor UFMT - Campus Araguaia.

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