Racismo fora de campo

Por Antonio Silva



 
No Brasil,  da dominação por herança do poder econômico e simbólico, as mudanças reconhecidas e propagadas como necessárias demoram a se afirmar, mais do que a razão permite

Os jogadores brasileiros vem se deparando com preconceitos racistas pelo mundo. O caso mais recente envolve Tinga, atleta do cruzeiro, em jogo no Peru, pela copa libertadores da América – o nome do torneio é sugestivo. Não poderia ser diferente, em função da violência psicológica, e o caso ganhou destaque nos meios de comunicação brasileiros, com amplo apelo não somente entre os torcedores mineiros. Chamou, mais uma vez a atenção do país.

Porém, neste debate falta ampliar as discussões, e não se trata de tema de um país latino-americano isoladamente. De modo velado, no Brasil o racismo faz parte do dia a dia dos brasileiros.

Nem todas as pessoas violentadas recebem a mesma visibilidade midiática de um jogador de futebol, capazes de fazer valer suas reclamações. Importante observar a quantidade da presença de negros na política e nos cargos de representação social. A formação de um pensamento de dominação de uma raça sobre outra, tem início nos idos tempos, de triste lembrança da escravidão, que percorrem a racionalidade de grupos brasileiros.

São tempos, cuja segregação humana simbolicamente seria necessária para exploração em busca de riqueza e comércio, nos países colonizados pelos europeus.

O Brasil faz parte desta realidade, com um dos últimos países a abolir a escravatura, em razão dos grandes produtores da época, não sobreviverem sem a mão-de-obra barata. Portanto, advém uma população sem alma (afirmada por religiosos), legitimando, portanto, sua exploração. Historicamente o país carrega suas mazelas que tenta esconder, não sendo apenas casos isolados, como é tratado o tema no jornalismo, sensacionalista.

O que falta, portanto, ao invés de uma análise emotiva feita pela mídia e sociedade, é perseguir os ideais democráticos e da igualdade social – o que envolve distribuição de riquezas e oportunidades políticas. O racismo está visível no campo de futebol, lugar em que há notáveis jogadores, com raça, força e dedicação à arte de jogar.

No Brasil, da dominação por herança do poder econômico e simbólico, as mudanças reconhecidas e propagadas como necessárias demoram a se afirmarm, mais do que a razão permite.

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Antonio Silva é Jornalista e professor da UFMT - Campus Araguaia.

1 comentários:

Henrique Silva Dias disse...

Sempre houve esse tipo de comportamento do futebol em todo lugar, mas eram casos isolados, dois ou três torcedores no máximo... agora com o Tinga foi algo surreal, milhares e milhares de pessoas imitando macacos [inclusive com pai ensinando o filho]... não sei se só com politicagem amenizaria isso, parece mais coisa enraizada no ser humano.

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