Acaba de ser publicado e disponibilizado o livro "A rebeldia por trás das lentes: o Centro de Mídia Independente no Brasil", de Carlos André dos Santos (Cazé), versão revisada da dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Santa Catarina em 2010. O autor foi voluntário do CMI-Brasil de 2004 a 2012. Assim como o jornalismo independente do CMI é feito de dentro ou junto aos movimentos sociais, como bem mostrado no documentário "Brad Will: uma noite mais nas barricadas", a pesquisa do Cazé é um olhar construído a partir de dentro, em diálogo com parte dos demais voluntários/as. É feita também de recombinações e apropriações de tradições da academia, contracultura, anarquismo clássico, do software livre, entre outras.

Não se trata reproduzir uma ciência desinfetada, reivindicando o poder intelectual da academia. É uma obra visceral e apaixonada, feita da "palavra verdadeira", a palavra que vem do coração. É como afirma o Cazé na apresentação do livro: "a democratização da informação" está "fundamentalmente ligada à tomada da palavra verdadeira e do fazer político rebelde, constituintes de uma outra história contada pelos ninguéns - os filhos de ninguém e os donos de nada que Eduardo Galeano descreveu em poesia. Já os zapatistas ensinaram aos ativistas da minha geração que a rebeldia e a palavra andam de mãos dadas e caminham pela noite construindo essa outra história, da qual também me sinto parte. Essa outra história não está alicerçada na verdade cartesiana que obedece a racionalidade instrumental da eficácia, e sim na flor da palavra verdadeira, a palavra que vem do coração daqueles que lutaram e lutam por justiça, democracia, liberdade, igualdade e dignidade."

Segundo a Profa. Marlúcia Valéria da Silva (UFPI), que fez parte da banca que avaliou a dissertação e teve trechos de sua fala transformados em prefácio do livro, o mesmo é "uma pedrada no olho da academia e também da ciência. O texto põe sob questão nada menos do que a propriedade intelectual, o trabalho do especialista, além do domínio da comunicação convencional e da propriedade privada. Questiona o próprio fazer intelectual acadêmico, quando advoga explicitamente a não monopolização do saber, a construção teórica em trânsito com a arte, a música, a literatura, a cultura popular, enfim, perfila-se ao lado daqueles que advogam uma nova ciência. Reconheçamos: nada mais fustigante para uma instituição placidamente assentada sobre esses valores."

Outras tomadas de posição na produção acadêmica e que tratam das experiências do Centro de Mídia Independente são o TCC "Novas formas de organização e comunicação: o CMI-Goiânia e a Rede Indymedia no contexto dos Novos Movimentos Sociais", produzida pelo ex-voluntário do CMI Diego Mendonça na UFG em 2006, e a tese "O ciberdocumentário prefigurativo dos anos 2000", do "solidário" Bráulio de Britto Neves, defendida em 2011 na Unicamp.



Fonte: CMI

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