Jornalismo reciclado

Por Antonio Silva

A internet, com suas comunidades, por vezes cria constrangimento e não se conseguiu tornar a rede rentável para as grandes empresas. Não há dúvida que pessoas importantes pensam neste sentido permanentemente


O Jornalismo passa por uma fase de transformação que há muito se faz necessária, porém, principalmente as grandes empresas de comunicação não compreenderam qual seja. Como ocorre aumento considerável de informações circulando na sociedade, por diversos meios, como internet, melhor educação, comunidade em rede on-line e outros recursos, a falta de credibilidade em alguns jornais aumenta-se, com decréscimo de audiência. Natural!

A televisão tornou o seu jornalismo em um show com notícias, embora haja algumas novidades na ordem da produção, mas não necessariamente na profundidade da informação. O espetáculo torna-se uma fórmula muito atraente, mas apenas uma espécie de novidade espetacular, com pouca informação.

O Jornal Nacional, sem grandes reportagens divide as matérias em duas partes: o fato em si e a resposta das fontes, tendo no meio a retomada dos apresentadores, com um cenário magnifico.

A investigação jornalística, quando aparece, é compartilhada com a escolha dos entrevistados, definidos conforme a linha editorial, que continua conservadora e integralista. Assim, se apresenta a chamada para o espetáculo e impõe conhecimento para os fatos ideológicos (política), por assim dizer. Uma estratégia que a revista Veja – e outros do gênero – nunca abriu mão, desde sua origem. Portanto, velho.

Os jornais impressos continuam a manter o velho e tradicional modelo da agenda de papel, agora eletrônica, com os surrados nomes da política, da economia. Como a profundidade é a única razão da busca pelo impresso como modelo – embora on-line – atendendo um público mais específico, entretanto alimenta o espetáculo eletrônico (o jornalismo audiovisual), que serve de matriz para linha de pensamento e editorial.

Os jornais do interior – sobretudo as grandes cidades fora eixo Rio-SP – mudam as pautas (os assuntos publicados), mas as reportagens segue o paradigma empresarial em consenso. A visão é nacional-internacional. O Brasil precisa estar na onda das novidades globalizadas, mas considerando a tradicionalidade das ideias econômicas nacionais, com referência global. Um paradoxo, que leva à lógica de mudar para nada mudar. A defesa é de status quo.

No final, quando se lê as notícias publicadas em um jornal, não há necessidade de recorrer a outro veículo do segmento. Lá está impresso a lógica de pensamento já concebida pelas redações em convergência de ideias. Parece estranho, mas é uma forma de se fazer política, prioritariamente partidária.

Ah! Sim. Jornalismo dá dinheiro. Muito. Talvez a informação, neste sentido, tenha grande importância. Vende-se reconhecimento para nomes em disputas políticas – Capital simbólico.

A internet, com suas comunidades, por vezes cria constrangimento e não se conseguiu tornar a rede rentável para as grandes empresas. Não há dúvida que pessoas importantes pensam neste sentido permanentemente. Enquanto isso, devemos acompanhar o espetáculo e as fontes que defendem a política de empresas, escolhidas pelo jornalismo empresarial globalizado. Ainda bem que a audiência não segue à lógica.

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Antonio Silva é Jornalista e professor UFMT - Campus Araguaia.

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