Jornal sem imagens mostra relevância do fotojornalismo



Não há como negar que em todo o mundo a mídia impressa passa por um momento realmente crítico. Depois de perder muito mercado nos últimos anos, inúmeras publicações enxugaram drasticamente as suas redações. Em tempos de fotos de “divulgação” via assessoria de imprensa, ou imagens amadoras, captadas por smartphones e outros aparelhos, muitas vezes pelos próprios repórteres, o verdadeiro fotojornalismo tem sucumbido a esse novo panorama da comunicação moderna. A lógica é objetiva: a economia em detrimento da qualidade. Mas quem paga a conta?

O jornal francês Libération resolveu realizar uma ação para mostrar a importância do fotojornalismo no contexto da comunicação. A publicação removeu todas as imagens de uma de suas edições impressas diárias. “Foi o nosso primeiro jornal a ser publicado sem uma única foto”, escreveu a jornalista Brigitte Ollier, em um artigo intitulado: "Libération mergulhou na escuridão". "Em seu lugar (das fotos): uma série de quadros vazios criou uma forma de silêncio e gerou incômodo", explicou Ollier. "É visível, tem informação faltando, como se tivéssemos nos tornado um jornal mudo, sem som e sem esta pequena música interna que acompanha a nossa visão", continuou.

A questão também coincide com os rumores desta semana, que dizem que o Libération espera ter uma perda anual entre  € 1 milhão e € 1.5 milhão neste ano, devido principalmente a uma queda acentuada nas vendas do jornal impresso. É uma situação que tem afligido inúmeros jornais ao redor do mundo, e atingido em cheio os fotógrafos. No início deste ano, o Chicago Sun-Times demitiu todo o seu pessoal de fotografia, por exemplo, optando por treinar seus repórteres para tirar fotos com iPhones. Reuters e o Atlanta Journal Constitution tem feito cortes similares .

Fonte: Adnews

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