Nas últimas duas semanas as universidades e faculdades brasileiras vivem em ritmo de alegrias e tristezas, de acordo com a nota que recebem do Ministério da Educação e seus programas de avaliação. O sentimento está condizente com o que a nota revela, substancialmente, e não exatamente no que se apreende e produz nos campos universitários brasileiros.
Deve-se considerar que avaliações exigem sempre subjetividades, na definição dos métodos – há exceções. O resultado matemático está relacionado, sobretudo, às expectativas do pesquisador, que já traça uma linha de análise, previamente – institucional, neste caso.
Os números muitas vezes servem como uma seta, indicando o caminho a seguir no horizonte, mesmo considerando as dificuldades de cada lugar e pessoas envolvidas. Assim, se observar atentamente alguns pontos, sobre a aferição do ensino de graduação e pesquisa no Brasil algo se apresenta estranho.
Grandes universidades não conseguem melhorar sua nota, geralmente, nem tão expressivas. Outros campos se destacam, mesmo considerando as dificuldades estruturais e a deficiência na relação ensino, pesquisa e extensão. Como resultado, a dúvida persistente sobre a realidade numérica a cada levantamento - um campo tensionado pela política dos resultados.
Política partidária e educacional
O Brasil é um país que apresenta grandes complicadores para aferir a educação superior, em função de sua vasta extensão territorial e ainda a questão de mudanças de pesquisadores dos grandes centros para as regiões mais distantes. Neste modelo, porém, Sul, sudeste e algumas regiões com tradição, lutam para manter sua força na qualidade.
O esforço do governo Lula e pouco da atual gestão, Dilma Rousseff (do PT), permitiu considerável melhora na estrutura, ou seja, houve construções de prédios e salas de aula em muitos lugares deste país – um canteiro de obras, como os políticos gostam de repetir. Mas, deve se ressaltar, não é somente de cimento que vive o ensino em qualquer lugar, embora seja fundamental a qualidade da estrutura.
Importante considerar o investimento na pesquisa, com verbas o suficiente para as reitorias (voltadas para a Educação) permitirem ao professor participar de debates e discussões, qualificar-se com tempo dedicado à pesquisa (isto em qualquer lugar deste país, sobretudo no interior) que invariavelmente se transformam em publicações. Claro, que há falta de interesse de grande parte dos docentes, mas não é a regra.
Os salários da educação brasileira, para dizer o mínimo, estão fora do razoável – também no ensino superior, pasmem os hipócritas. Alguns cursos chegam a fazer adaptações em determinadas disciplina por falta de incentivo para formação em determinadas áreas.
A discussão nas universidades, nestes dias que passam, serve ao propósito de adequação ao modelo matemático que se impõe. Os campos de graduação e pesquisa devem visualizar não exatamente a biruta dos números, mas o nível de conhecimento dos alunos, o espírito crítico, a realidade local em que vivem, as perspectivas de trabalho e sua inserção na sociedade, de modo de promover a melhoria da qualidade de vida – formar cidadãos.
Infelizmente, o Partido dos Trabalhadores (PT), mostrou-se nos últimos anos muito afinado com as grandes decisões globais, o que torna a educação uma grande ferramenta para impulsionar o desenvolvimento econômico afinado, entretanto, menos ao local e nacional e mais com o internacional.
As grandes questões da educação se voltam para ensino público e de qualidade, não somente (importante destacar) com atestado dos gráficos resultantes dos afortunados programas políticos.