Por Antonio Silva
A prisão dos mensaleiros abre apenas um debate sobre a realidade política nacional. Grupos nacionais e internacionais que dominam a economia brasileira – a América Latina e outras regiões mundiais – mostram a sua força, na busca da justiça em favor do Estado (a coisa pública)
Leviano fazer conclusão sobre uma questão que exige pesquisa ampla, mas cada vez mais evidente um jogo difícil que se faz no Brasil, em torno da defesa de um sistema capitalista que visa interesses corporativos, ligando elites econômicas nacionais com internacionais (portanto globais), sem considerar os interesses da nação (o povo pobre e marginalizado das decisões que lhe dizem respeito).
Ou seja, o país tem dono, um sistema político, que independe da governabilidade e quem assenta-se neste poder. Há uma linha reta que define os lugares de cada qual, com vistas a resultados que desemboca em lugares previamente definidos. Nesta rede os meios de comunicação ganha notoriedade e sumária importância - eis o que as escolas chamam ideologia.
Dois assuntos que evidenciam esta realidade, a prisão dos mensaleiros, que, cometendo crimes contra a coisa pública, devem responder pelos atos. Mas torna-se importante sempre ressaltar, os anjos não pertencem ao universo político. Aqueles que tem interesse de participar ativamente do jogo (político e social) precisa jogar e correr riscos altos (para um país de grandes dimensões como o Brasil e representativo internacionalmente), considerando a linha determinante definida por um forte grupo hegemônico secular no Brasil.
O mensalão não é o único escândalo e nem será o primeiro, a exemplo do caso Cachoeira em Goiás, denúncia sobre licitações dos trens em São Paulo, reeleição de Fernando Henrique Cardoso, etc.
América Latina
Neste sentido há um medo inequívoco da base monetária da política do país com a possibilidade de um esquerdismo no espaço público, ainda mais em uma nação que serve como modelo para a América Latina. Por esta razão tantas e tantas notícias negativas contra o governo de Cristina Kirchner da Argentina – Venezuela de Nicolas Maduro, Bolívia de Evo Morales, etc. -, que trava uma luta feroz contra a mídia, de intelectualidade cosmopolita, mais próxima dos governos centrais.
Importante ressaltar que os governos de Lula e Dilma em nenhum momento se mostram contrários ao capitalismo financeiro e a linha traçada pela elite nacional, como ressalta o prof. José Luiz Fiori (em sua obra “O Poder Global”), a gestão petista apenas tenta a conciliação entre diferentes grupos antagônicos, no sentido de permitir que mais pessoas se beneficiem da riqueza nacional.
A rigor, os bancos nacionais nunca deixaram de obter altíssimos rendimentos em terras dos grandes latifúndios políticos. O capitalismo internacional tem ampla força no Congresso Nacional do país, em essência. A coisa por aqui não é pública, de fato.
A prisão dos mensaleiros abre apenas um debate sobre a realidade política nacional. Grupos nacionais e internacionais que dominam a economia brasileira – e a América Latina e outras regiões mundiais – mostram a sua força, na busca da justiça em favor do Estado (a coisa pública). Pois, paralelamente às prisões dos anti-heróis, a boa notícia internacional vem da China.
O país finalmente (deve-se comemorar) caminha para abertura de seu grandioso mercado. Fato exposto nos grandes jornais deste sábado, como triunfo da realidade que consubstancia política e economia. Assim, globalmente, somos reféns de uma realidade que a justiça faz parte.
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Antonio Silva é professor da UFMT, Campus Araguaia,