Observações rápidas sobre o Dia do Professor

Crédito: Eduardo GoldenbergLuiz Antonio Simas, botafoguense, mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio (foto: http://www.eventos.turismo.gov.br/copa/copa_cabeca/detalhe/luiz_antonio_simas.html)

por Luiz Antonio Simas 


- O magistério não é um sacerdócio. O discurso neste sentido ferra o professor e legitima a ideia de que devemos mesmo trabalhar em condições adversas e aceitar as coisas como cordeiros mansos, em nome de uma certa "missão de ensinar". Magistério é carreira profissional e o professor deve ser dignamente valorizado pelo exercício de suas funções. Quem quer exercer sacerdócio, virar guru, conduzir multidões ao saber iluminado, deve procurar o seminário mais próximo. 

- O professor que se acha detentor do saber (eu já me achei em priscas eras) é uma besta. O professor que, por sua vez, viaja no populismo barato de achar que quem ensina para ele é o aluno, também. Escorrega na demagogia mais rasteira. Proporcionar a circulação dos saberes e despertar a curiosidade do aluno para a aventura do conhecimento me parece ser a base da nossa função. 

- A escola no Brasil está em crise. O discurso de que o ensino deve formar o cidadão pleno se choca com a gritante tendência - ampla - de se encarar a escola como uma instância domesticadora de gentes para os currais implacáveis do mercado de trabalho. Quem pode subverter isso é, evidentemente, o professor.


- Em 15 de outubro de 1827 o Imperador D. Pedro I criou, por decreto, as "Escolas de Primeiras Letras" no Brasil. Eis aí origem do babado.

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