Uma mobilização intensa dos jornalistas pela valorização da profissão está sacudindo as redes sociais desde o último sábado (5 de outubro), quando, em assembleia, a categoria decidiu recusar a proposta patronal para os pisos salariais no próximo ano.

Além de dizer não aos valores sugeridos pelas empresas de comunicação, os trabalhadores da imprensa decidiram deflagrar uma série de ações para sensibilizar a sociedade com relação às dificuldades enfrentadas por quem opta por esta atividade laboral.

Na redação do Jornal do Comércio, em Porto Alegre, repórteres, editores e colunistas vestiram a camiseta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJor/RS) e postaram em seus perfis no facebook. “A melhor maneira de conseguir mais prestigio é a união da categoria. Precisamos debater, participar mais”, defende o colunista de economia do JC, Danilo Ucha.

Embora a motivação para a ação da categoria tenha sido a proposta patronal, considerada insuficiente, tanto Ucha como seu colega, o editor de Opinião do JC, Roberto Brenol, acreditam que a insatisfação dos profissionais da imprensa tem raízes mais profundas e não está restrita ao atual momento da negociação salarial. “Com a queda do diploma nossa profissão teve um retrocesso de 40 anos”, condena Brenol.

Os dois concordam que há um sentimento de depressão nas redações, que tem origem em parte no tipo de trabalho que os jornalistas vem desempenhando - talvez menos profundo ou propositivo do que os profissionais gostariam – mas que também tem relação com as mudanças provocadas pelas novas tecnologias, que trouxeram obrigações extras aos produtores de notícia.

“Trabalhar com a informação não é ser apenas um boy de luxo que faz uma ligação entre a fonte e o público. O jornalismo é um elemento transformador, e o profissional de imprensa é quem seleciona, agrega, organiza a informação para o leitor, o ouvinte, o telespectador”, instiga Ucha.

“Não é possível confundir trabalho jornalístico com escrever em jornal. A formação é o que garante a qualidade de um correspondente ou setorista: quanto mais preparado este profissional estiver, melhor a qualidade da informação que vai passar”, decreta Brenol.


Outras redações de Porto Alegre organizam resistência

Desde que a equipe do Jornal do Comércio iniciou a postagem de fotos com a camiseta do SindJor/RS, diversos profissionais entraram em contato com a entidade solicitando material para a campanha.

A procura foi tão intensa que as camisetas acabaram. Uma alternativa enquanto uma nova remessa não é distribuída é compartilhar o material de divulgação da Campanha Salarial em blogs e perfis de redes sociais.



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