FocAia cobre bastidores do desfile de 7 de setembro em Brasília

por Henrique Dias e Alfredo Costa

Com forte esquema de segurança, o tradicional desfile comemorativo do Independence Day do Brasil começou às 9h30 da manhã deste sábado e terminou às 11h30

Uniforme azul não é referência ao time do Cruzeiro, líder do primeiro turno do Campeonato
 Nacional. Os Granadeiros da Guarda Presidencial existem desde 1822, muito antes da introdução
 do "esporte bretão" em "terras tupiniquins" (Foto: Henrique Dias).

Com medo de manifestantes mais violentos, como o grupo Black Bloc, a segurança do desfile de 7 de setembro foi  rigorosa, cercando com tapumes de metal todos os prédios dos ministérios. Para manter o controle da situação,  contou com a colaboração do órgão responsável pelo assessoramento pessoal à Presidente(a) da República em assuntos de segurança, conhecido pela letras GSI (Gabinete de Segurança Institucional), além de considerável número de militares e civis (Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira, Polícia Militar do Distrito Federal, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiro Militar. Um contingente que quase superou o número de cidadãos presentes, público, aliás, para lá de privado, pois para entrar era necessário portar uma credencial fornecida pela própria Presidência da República.

Com tamanho aparato de segurança, a TV Globo não apostou no aparecimento de "vândalos", "arruaceiros" e "baderneiros" e não se deu ao trabalho de deslocar seu helicóptero,  conhecido como "Globocop", para captar imagens das manifestações , que, conforme o clichê da emissora, "começam pacíficas, mas que terminam em congestionamentos de transito, violência e repressão policial com gás de pimenta e balas de borracha". 

Além dos aparentemente inofensivos Focas do Araguaia, gentilmente convidados pela Presidência da República, a cobertura jornalística estava restrita ao Departamentos de Comunicação do Exército Brasileiro, para recordação dos familiares dos oficiais, suboficiais e soldados, e da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que é o canal de comunicação oficial do Governo Federal, para captar, quem sabe, imagens de um futuro vídeo institucional com "pinta" de agenda positiva e trilha sonora de "Marcha da Vitória", também conhecida como "a música do Ayrton Sena".

Nessa ilha de tranquilidade, o mais interessante para os Focas do Araguaia, limitados ao espaço destinado à chamada "imprensa chapa branca", foi conversar com os colegas  cinegrafistas, produtores e outros profissionais de Comunicação, e pegar dicas com a repórter da TV NBR, sobre como entrevistar um público pacífico e repassar a cobertura do evento para as demais empresas de comunicação.

Repórter Izabela da TV NBR: "Busco entrevistados do próprio público, converso antes com
 a pessoa para saber se ela tem desenvoltura e anoto todos os pontos da entrevista num
 caderninho" (Henrique Dias).

Era esperado um público de pelo menos 25 mil pessoas para o desfile, no entanto, apenas 5 mil compareceram para "prestigiar" o evento. Como o próprio Correio Braziliense intitulou em matéria publicada na versão impressa do dia seguinte, afinal não havia pressa para a notícia sair: "Uma festa sem o prestígio de outrora", tudo por conta das corriqueiras manifestações na capital, que, embora sem o mesmo vigor das anteriores, aconteceu, de fato na mesma imensa Esplanada dos Ministérios, há mais de um quilômetro do local. Ah, se a Capital Federal ainda fosse no Rio de Janeiro...

O desfile contou também  com a apresentação da brigada militar de segurança pública brasileira, além de atletas, alunos do Colégio Militar e crianças de escolas públicas de Brasília.

Outro fato jornalístico de destaque é que , desta feita, nenhum dos equinos militares dos Dragões da Independência caiu, derrubando seu cavaleiro, como geralmente acontece, para satisfação dos cinegrasfitas, que emplacam seus quinze segundos de vídeo,  e protesto da Sociedade de Proteção dos Animais, que defende que o tórrido asfalto da Esplanada dos Ministérios não é adequado para o galope dos animais, sejam civis, sejam militares.



Caiu na rede é peixe: Depois de cumprida a "missão oficial" , o Foca do Araguaia aproveitou para "tietar" a ex-professora temporária da UFMT Nara Mourão e pegar dicar de como passar no concurso público da EBC.