As diferenças resistem à força em um tempo peculiar de conflitos. Importante ressaltar que os indígenas convivem com a destruição de sua cultura há anos, por não dizer, desde o surgimento do fantasma do Europeu globalizador, na América Latina
Durante esta semana na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Campus Araguaia, os cursos de Jornalismo e direito se dedicaram a discussão em torno do papel da mídia e justiça nas questões ambientais. Como não poderiam ser diferentes as constatações óbvias, a política ambiental brasileira está assentada às lógicas econômicas globalizadas.
Por esta razão que o estado mato-grossense responde as
demandas de uma economia internacional, cujos resultados a cada ano da
agricultura agrada o governo, que está sempre pronto para mais
incentivos aos bravos produtores do agribusiness.
A cultura local e regional vai se organizando para se incluir nestes
tempos de produção e menos ambiente, mas com dificuldades excessivas,
quase nos grilhões.
As mudanças inevitáveis em qualquer comunidade faz parte de sua dinamicidade interna, porém, na realidade que se vive as fronteiras vão sendo transpostas, por vezes à força do controle capitalista dos grandes centros produtores – não somente nacional.
Nesta ordem, como pensar os paradoxos: os índios dependem de sua terra, na qual estão sua história e tradições, mais ainda, seus símbolos que são sua alma. Vem se tornando cada vez mais fortes os preconceitos inevitáveis numa sociedade do desenvolvimento econômico e enfrentamentos por riquezas, seguindo o discurso globalizante dos tradicionais e inovadores mercados internacionais e globais.
As pequenas cidades, como Barra do Garças, Pontal e Aragarças, apenas como exemplo – e o resto, nas margens do Brasil -, convivem com esta realidade trazidas de suas principais centros cosmopolitas integrados nessa filosofia internacionalizante.
As diferenças resistem à força em um tempo peculiar de conflitos. Importante ressaltar que os indígenas convivem com a destruição de sua cultura há anos, por não dizer, desde o surgimento do fantasma do Europeu globalizador, na América Latina, consoante com a visão de um mundo agregado nos seus valores e tradicionais modernas e igualitárias.
Culturas administradas
As diferenças impedem o crescimento econômico, dependente do cultural que tenta manter a tradição. As terras, neste sentido, não servem para outras atividades – importante reflexão -, a não ser a exploração e produção para o comércio internacional e riquezas nacionais, geralmente concentradas em poucas mãos.
Se esta for análise correta, o governo está sensibilizado com a causa econômico global e pouco com as diferenças que querem se manter, seja em qual partido e governo for. Não seria sem razão o excesso de publicidade sobre a queda do PIB, a inflação e aumento de importação que faz cair à balança comercial brasileira.
O Brasil faz parte da ordem global e todos sabem disso e pensa alternativa, como é caso das comunidades indígenas, que inevitavelmente convivem com o preconceito do atraso.
A mídia? Pois é. Pouco a acrescentar já que tem papel importante na observação do mundo pelas lentes da globalização econômica, com redução do poder do estado-do-bem-estar-social.
Se o governo já se amarra nas lógicas fortes da política do mundo financeiro, com espasmos de dedicação às culturas brasileiras, os meios de comunicação se aliam as lógicas hegemônicas – a visão é das grandes cidades cosmopolitas, como Nova Iorque e Londres. Eis seu papel, assim, como o do direito.
Cabe, entretanto, entender que as análises das mídias – certamente da justiça – vão além de uma visão dos objetivos dos tempos apenas globais, pois a comunicação é social, como são os indígenas e todos nós cidadãos do Brasil.
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Antonio S. Silva é professor da UFMT, Campus Araguaia.
