Via Batalha dos corpos
Esse projeto surgiu através do trabalho para uma matéria de Antropologia Visual e busca desdobrar-se para além do mundo universitário e acadêmico (claramente discriminatório em diversos níveis). Quatro mulheres tiraram fotos das partes dos seus corpos que as incomodam de alguma maneira por não corresponderem ao padrão machista, racista e misógino de beleza. Queremos deixar claro ao mundo que o photoshop é uma forma de fazer censura! Uma recente pesquisa britânica revela que metade das garotas de 6 anos já estão infelizes por causa da aparência de seus corpos. Isso acontece porque o que se vê no espelho não é aquilo que aparece nas revistas, o importante detalhe, porém, é que o que se vê nas revistas é mentira. Não aguentamos mais a censura dos nossos corpos, o uso de ferramentas tecnológicas para anular aquelas de nós que aparecem nas revistas e alienar aquelas de nós que leem essas mesmas revistas. Celulites, banhas e estrias não devem ser motivo de vergonha. Há várias formas de violência. A violência simbólica nos golpeia todos os dias; nos joga na cara diariamente que não temos um corpo à altura. À altura do que? À altura de quem? Nossos corpos permitem toda forma de contato que temos com o mundo - do nosso gozo a nossa dor - e nunca permitiremos que sejam objetos moldados pelo patriarcado. Que nada nos submeta, que nada nos defina! Que nenhuma mulher mais morra em mesas de cirurgia estética; que nenhuma menina mais volte chorando pra casa porque antes mesmo de poder formar uma identidade já foi "avisada" de que o que importa é aparência; que cessem as mortes por bulimia e por anorexia; que possamos usar a roupa que quisermos sem virarmos piada de programa de TV escroto; que andemos nas ruas a hora que quiseremos, vestidas como quisermos, sem o risco de sofrer qualquer forma de violência. É dissimulado quem não vê que o machismo grita e mata. Que a sociedade que nos chama de feia é a mesma que nos estupra! Não mais. Sem doçura ou resignação.
2PM
SIM, TENHO UM SEIO MAIOR QUE O OUTRO….ISSO NÃO ME REPRIME…ME ACHO LINDAIMPERFEITA, E AMADA, AS ESTRIAS NÃO FORMAM MEU CARÁTER!
Eu era feliz com o meu corpo. Eu não conhecia os padrões de beleza estabelecidos pela sociedade. Aos 12 anos, enquanto minhas amigas já tinham o corpo desenvolvido e eu continuava bastante magra, comecei a ser oprimida. Os comentários partiam tanto das meninas, como -e principalmente- dos meninos.
Quando eu inocentemente vestia alguma roupa curta, tinha que lidar com comentários do tipo: “Você está querendo mostrar o quê?”
Quando usava biquíni, me perguntavam:
"Cadê os seus peitos?"
Incapazes de ver que a minha magreza se dava por fatores genéticos, fui muitas vezes chamada de anoréxica; pelos meus seios quase inexistentes, pela minha bunda pequena, e pela minhas pernas que não grudavam uma na outra.
Por um bom tempo, me deixei levar pelo o que me falavam. Cheguei ao ponto de vestir duas calças pra “engrossar” as coxas e a bunda, e meias no sutiã pra dar volume.
Quando perdi minha virgindade, não tive sequer coragem de tirar a camiseta por vergonha do tamanho dos meus seios.
Quando perdi minha virgindade, não tive sequer coragem de tirar a camiseta por vergonha do tamanho dos meus seios.
Hoje, com 17 anos, continuo com o corpo bem pouco desenvolvido, só que agora, me sinto livre pra vestir o que eu quero e sem vergonha do que os outros vão pensar a respeito. O feminismo tem me libertado cada vez mais. O feminismo me ensinou a voltar a amar o que eu nunca devia ter odiado um dia.
