Educação e cultura de massa

Por Antonio S. Silva

Mais a mais os grandes jornais precisam se reinventar diante de uma comunicação que é hegemonicamente social, ou seja, se completa na prática e na reflexão da opinião pública


Comum o pensamento de que os grandes veículos de comunicação tem como busca formar o pensamento de massa, cujo objetivo é o consumo e a produção de bens. Embora não seja uma verdade ululante, cabe análise, a cada dia vem se tornando repetitiva e insistente as mensagens da mídia para o que seria a Educação ideal.
Aumenta-se a quantidade de matérias, tendo como pano de fundo a formação de pessoas para o mercado, única e exclusivamente.

Neste domingo pelo menos dois jornais trataram do assunto – que tivemos contato. A Folha de S. Paulo em caderno especial e o Jornal goiano O  Popular, com destaque na capa, que descrevem: a quantidade de estudantes que trocam de cursos por falta de vocação, a falta de objetividade do campo acadêmico para os conteúdos práticos e a importância da educação para o desenvolvimento econômico de um país.

Em essência o professor deve propagar menos teorias e mais conteúdos que sirvam ao mercado; pedagogia para as profissões. Entre várias abordagens, seriam os pontos observados que se repetem.

A Revista Veja, por sua natureza editorial conservadora segue a linha de raciocínio, sendo que a Editora Abril, empresa que edita o semanário paulista, explora o filão educação em cursos pelo Brasil.  No seu próprio site “Abril Educação“, está descrito que “O mercado de trabalho está cada vez mais concorrido e a educação ainda é a principal porta de entrada para o sucesso profissional”.

Como se observa a imprensa na “periferia” do eixo Rio-São Paulo segue a batida ideológica. Aliás, as temáticas se reproduzem nas corporação das empresas jornalísticas ao longo dos Estados brasileiros.

Certamente a sociedade não vive unicamente pela busca de resultados econômicos e na educação ainda persistem os Estudantes (com E maiúsculo) que acreditam na igualdade social, na democracia e no direito de escolha de maneira livre das pressões ideológicas, sobretudo, dos grandes meios de comunicação, que tem a massa como cliente e sua razão de ser.

Na realidade um paradoxo, mas que o “comerciante” tenta formatar seu raciocínio de acordo com sua visão de mundo. Os cursos de ciências sociais, sociologia, antropologia, pedagogia entre outros tem importante função na realidade prática do homem social, assim como Direito, Engenharias, etc.

Cabe notar que em todo processo comunicativo não se forma unanimidade e até mesmo o mercado tem suas ambiguidades e transformações constantes. A prática não se resume na reprodução, mas que depende de reflexões possíveis no mundo acadêmico, que contrapõem a própria realidade instrumental. Em outras palavras, as reflexões acadêmicas permitem reconhecimento das ideologias das mídias e de sua matriz ideológica.

Mais a mais os grandes jornais precisam se reinventar diante de uma comunicação que é hegemonicamente social, ou seja, se completa na prática e na reflexão da opinião pública.

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Antonio S. Silva é professor da UFMT, Campus Araguaia.

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