Enquanto o centro de São Paulo ardia, na noite de terça-feira (11), com os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, não longe dali, no Complexo Cultural Tomie Ohtake, o sociólogo espanhol Manuel Castells fornecia em tempo quase real uma explicação teórica para manifestações como aquela, que nascem na rede e ganham as ruas do mundo.

A batalha paulistana foi referência recorrente, ainda que breve, em sua fala sobre comunicação e poder, na terceira conferência do ciclo Fronteiras do Pensamento em 2013, evento do qual a Folha é parceira. O especialista em mídia e política atribuiu a onda mundial de protestos a um novo espaço público cuja marca é a "autocomunicação de massas".

Professor e pesquisador em instituições de ponta como a Universidade Aberta da Catalunha, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a Universidade da Califórnia em Berkeley, Castell expôs sua complexa teoria sobre a crise na "comunicação de massas político-midiática" e as transformações tecnológicas nas comunicações.
Karime Xavier/Folhapress
O sociólogo espanhol Manuel Castells fala no Fronteiras do Pensamento, na noite de terça (11), em São Paulo
O sociólogo espanhol Manuel Castells fala no Fronteiras do Pensamento, na noite de terça (11), em São Paulo

Segundo Castells, a lógica midiática leva à "personalização extrema da política", na qual "a mensagem política se resume a um rosto a ser eleito" -ou a ser destruído em escândalos midiáticos.

"Se a confiança na pessoa é a mensagem central, a principal arma de combate político é a destruição dessa pessoa", afirmou. O resultado é a desconfiança geral em relação à política.

A internet, para Castells, altera esse esquema de dois modos: ao permitir a "autocomunicação", retirando a mediação dos meios de comunicação, e ao aglutinar demandas "emocionais", como a "dignidade" reivindicada por movimentos europeus.

"A internet é a liberdade e é um meio de perdermos o medo juntos", disse Castells. Para ele, já vivemos uma "virtualidade real" e não mais uma "realidade virtual".

"A rede é a infraestrutura de nossas vidas", afirmou. "Somos anjos e demônios. Viver na internet tem um perigo: nós mesmos". Leia a íntegra da matéria de Paulo Werneck na Folha de S. Paulo.

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