A solução deve ser encontrada num diálogo
franco entre governo e categoria, de modo que se defina uma maneira de
permitir vida digna para toda a população brasileira. Não basta
argumentos sem fundamentos ou de interesses particulares
Por Antonio S. Silva
Encontrar soluções é necessário e urgente e não deve ficar a mercê do interesse de grupos profissionais que exigem reservas de mercado, para uma área tão sensível.
A discussão em torno da falta de competência dos médicos vindos de outros países, não se mostra verdadeira, já que o governo está em negociação com países desenvolvidos. Como é o caso da Espanha, que tem alto índice de desemprego e Cuba, uma nação reconhecida pela qualidade de sua medicina.
Portanto, os argumentos apresentados vão em direção ao corporativismo, simplesmente.
Não se trata ainda de um problema educacional, por falta de universidade. A questão está em torno do interesse de cada profissional em residir nos grandes centros econômicos, com toda sofisticação de uma região desenvolvida.
Nada a questionar sobre as dificuldades encontradas em infraestrutura no interior do Brasil, que pode ser precárias, além da adaptação cultural do profissional – o médico tem origem das nobres famílias brasileiras, se analisadas as dificuldades de se ingressar nas universidades públicas e os altos valores pagos nas universidades particulares de renome.
Torna-se indispensável, entretanto, avaliar que nestes lugares moram pessoas com suas culturas e identidades e sofrem demasiadamente pela falta de atendimento e estrutura precária da saúde, muitas vezes.
A solução deve ser encontrada num diálogo franco entre governo e categoria, de modo que se defina uma maneira de permitir vida digna para toda a população brasileira. Não basta argumentos sem fundamentos ou de interesses particulares.
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Antonio S. Silva é Jornalista e professor universitário - UFMT Araguaia.