Espetáculos, carteirinha para todos

A publicidade não pode servir para sensibilizar apenas os afortunados, mas estar ao alcance dos estudantes brasileiros, independentemente de que classe pertença. A educação não se resume à sala de aula, no final

Por Antonio S. Silva


Numa sociedade em que se pensa em ganhar dinheiro, os bens culturais inevitavelmente passam por este critério, ou seja, qualquer evento precisa ser pensado como meio de se obter recursos econômicos, e quanto mais melhor. O espetáculo em si representa apenas o desejo do público, considerando a quantidade, não simplesmente a qualidade. A carteirinha de estudante vem na contramão deste princípio, pois reduz os ganhos dos promotores e indústria dos shows.

Qualquer evento exige vultuosos gastos para sua realização. Ponto. Afinal, para que um artista se torne do gosto popular são investidos, muitas vezes milhões em sua imagem, o que requer insistir na aceitação do gosto popular, com muitas páginas de revistas, sites especializados e principalmente mídia visual, como carro chefe a tradicional televisão, de gastos astronômicos.

Na ponta final, o empresário produtor precisa rever o dinheiro gasto e obter mais outros milhões (ganhos astronômicos), que seria o lucro. Uma espécie de poupança, até que o sucesso do artista se esvaia e outro seja reposto, como um produto com etiqueta de vencimento – que depende da exposição da mídia, mas não somente.

No outro lado está o público, que precisa entrar com os gastos, consumindo os shows, que geralmente são de preços altíssimos, selecionando grupos de pessoas da alta classe (nem sempre cultural, mas financeira) e aqueles que não tem uma boa remuneração. Como resultado a exclusão através do filtro econômico. Como pensamos a partir de uma lógica social, cabem às instituições sua regulamentação, o que não passa evidentemente simplesmente viés financeiro.

A cultura tem grande importância social, fundamental que fique claro para os representantes políticos. Os teatros, caríssimos no Brasil; cinema, shows de grandes talentos da música, etc. são fundamentais para o conhecimento social, onde há trocas de experiência a partir do texto tratado (mesmo na música).

Possível dizer que é na cultura que as pessoas encontram sua identidade, pensamento, conhecimento da realidade. A exclusão torna as pessoas refém daqueles que adquirem mais experiência através das trocas públicas, ou seja, nos eventos sendo populares ou não. Neste contexto estão as comunidades com trocas de informações e estilos de vida.

A carteirinha de estudante, que concede o direito de meia entrada, não é somente fundamental a sua manutenção, como é uma obrigação dos políticos e judiciário (se for o caso) manter - sendo necessário regulamentações para evitar desvios da própria indústria. As pessoas, sem exceção, apesar da injustiça da desigualdade social, tem o direito de participar.

A publicidade não pode servir para sensibilizar apenas os afortunados, mas estar ao alcance dos estudantes brasileiros, independentemente de que classe pertença. A educação não se resume à sala de aula, no final.

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Antonio S. Silva é Jornalista e professor universitário - UFMT, Campus Araguaia.