Trajetória e realidade



Razoável para quem chega se apresentar com cortesia. Então, peço licença para fazer parte deste trabalho do professor Alfredo Costa, a quem reconheço para sua capacidade de argumento e intelectual – parabéns por este blog. Chegamos para fazer parte do grupo de professores da Universidade Federal de Mato Grosso, do campus da belíssima cidade de Barra do Garças, onde encontramos pessoas amigas e um imenso arquivo intelectual. Neste sentido, já sabemos do prazer em conviver com uma população fraterna e amiga.

Certamente temos o que oferecer, afinal, os avaliadores atestaram esta nossa condição em um concurso que revelou para mim difícil e exigente, como deve ser. Fazer parte da vida acadêmica de uma comunicação que pressupõe determinação, competência e muita, muita dedicação. Pois são fronteiras que se rompem com o conhecimento para uma sociedade melhor, não somente local.

Lecionaremos as disciplinas teóricas, nossa aprovação foi para as Teorias da Comunicação, conteúdo que ministramos ao longo de muitos anos, tendo como resultado a formação de pessoas reflexivas - quero acreditar efetivamente nisso -, capazes de conceber a realidade. Compreender que o real é apenas um vislumbre, numa relação com a linguagem e discursos midiáticos, sobretudo. Enfim, nasce da e na Comunicação social.

Na nossa trajetória é dedicada à comunicação. Inicia-se pelo Rádio, como operador de áudio, ainda na adolescência, depois à locução, eventos, jornalismo. Um veículo em que se faz de tudo, inebriando com sua relação direta com um público, às vezes simples, mas inteligente, perspicaz.

Por um tempo, ainda na graduação passamos pelo jornalismo televisual, tentamos alguns projetos no jornalismo impresso, com bons resultados, mas de pouco rendimento financeiro. No capitalismo tem isso, não basta os resultados para a comunidade, precisa agradar ao discurso que se quer hegemônico. Uma conversa para sala de aula.

No mundo acadêmico, logo que me formei já fui para a sala de aula, sendo cumprimentados pelos professores, pelo alinhamento com os debates acadêmicos. Alguns chegaram a falar de intelectualidade, mas tinha muito de amizade no meio. Todos se tornaram meus amigos, depois “abandonaram-me”, tornei mais um a conquistar um reduzido espaço de uma educação que se privatizou – o mundo tem seus cantos. Guardo boas lembranças de meus professores, principalmente dos mais exigentes. Bons tempos, bons amigos.

Na sequência fui para PUC de São Paulo para o mestrado, quando quis discutir a globalização e o discurso da mídia. Uma questão que até hoje me acompanha e acredito uma meia dúzia de pensadores. Claro com outros enfoques, aprofundados numa continuidade das pesquisas realizadas no começo da década passada.

Hoje fazemos doutorado na UnB, com amplo discurso das narrativas da América Latina. A rigor, um campo que vem sendo tratado por novos pesquisadores, diante de uma região que se organiza politicamente. Surgem governos de resistência para uma comunicação globalização que tenta a homogeneização, a busca frenética pelo consumo. Evidentemente, na complexidade da comunicação, há resistência social, considerando o inconsciente coletivo e a identidade.

Sobre a carreira de docente, estamos algum tempo na área, discutindo projetos, realizando trabalhos interessantes, convivendo com limitações do mundo acadêmico e enfoque exagerado, muitas vezes, no mercado, o deus moderno (ou pós-moderno?). Neste caminho, numa dialética, alunos se tornaram professores, alguns seguiram o campo acadêmico, já mestres e intelectuais. Como diz o Cazuza, realmente "o tempo não para".

Assim, meus mais sinceros cumprimentos. Com a certeza de uma forte amizade, trocas de informações e conhecimentos.

Prof. Antonio Silva – Jornalista, mestre, doutorando e professor da UFMT, campus Barra do Garças.

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