por Keka Werneck
Xavante
Ativistas do Fórum de Direitos Humanos e da Terra Mato Grosso (FDHT-MT) acompanham com preocupação a contagem regressiva para remoção dos não-índios da reserva indígena Marãiwatsédé, no Norte de Mato Grosso.
Há risco de conflito.
Se o cenário jurídico e político não mudar, daqui a uma semana, no dia 7 de dezembro, próxima sexta-feira, começam a ser retirados da área fazendeiros de grande, médio e pequeno porte, que, conforme entendeu a justiça até agora, ocupam a área irregularmente.
As primeiras notificações foram feitas no dia 7 de novembro, dando prazo de 30 dias para saída, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ou seja, o caso chegou à última instância.
As notificações estão finalizadas, o que quer dizer que até o final de dezembro, a área deve ser garantida aos xavantes, etnia que habita a região.
O conflito – se ocorrer – será em “mata fechada”. Esse é o significado do nome dado pelos xavantes aos 165 mil hectares em disputa, que cortam três municípios mato-grossenses: Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia.
A Maraiwatsédé é uma reserva indígena extensa, que não pode ser comparada ao Parque Indígena do Xingu, com seus 2 milhões de hectares. Mas é cinco vezes maior do que o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, por exemplo, que tem 30 mil hectares.
É essa área extensa, de mata fechada, de solo produtivo, que está em disputa.
A imprensa de modo geral tem divulgado que há 7 mil não-índios a serem removidos de lá. Mas de acordo com o Censo Demográfico realizado no Brasil em 2010, é muito menos que isso. A população residente na área é de 2.427 pessoas. Destas, 1.945 declararam-se ou se consideraram indígenas. Aqueles que não se declararam nem se consideraram indígenas, ou sem declaração, são um total de 482 pessoas.
Donos da terra
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