Dilma culpa grevistas de “sangue azul” por impasse




Protesto de servidores administrativos da Polícia Federal em frente ao Palácio do Planalto (Foto: Vianey Bentes / TV Globo)


Governo aponta elite do funcionalismo, com salário acima de R$ 10 mil, como a principal responsável por radicalizar o movimento e travar as negociações.

A presidente considera inconcebível que, no meio de uma crise mundial, esses servidores — os mais beneficiados por reajustes no governo Lula — se recusem a aceitar a atual proposta de correção de 15,8%, divididos em três anos. Integrantes de carreiras de Estado, esses funcionários teriam sido chamados por ela de “sangues azuis”. Entre eles, estão funcionários do Banco Central, da Receita, da Agência Brasileira de Inteligência e da Polícia Federal, que ontem fizeram uma fogueira em frente ao Palácio do Planalto. Essas categorias pedem reajustes entre 35,53% e 151,27%. No governo, a avaliação é de que não há a menor possibilidade de Dilma atender ao pleito.

Pelo menos 11 mil servidores em greve devem ter o ponto cortado, afirma governo

O salário de 11.495 servidores públicos, a ser depositado no início do próximo mês, sofrerá reduções de acordo com o número de dias que eles não compareceram ao trabalho em razão da greve. Segundo informações do Ministério do Planejamento, o corte diz respeito à folha de pagamento que abrange o período de 20 de julho a 20 de agosto, e cujo depósito é realizado em 1º de setembro.

Ainda  segundo o Ministério, a medida não atinge os professores universitáriosO corte do ponto dos docentes que aderiram à greve será decidido pelas direções das universidades federais, que têm autonomia para isso.

De acordo com estimativa do Planejamento, há entre 70 mil e 80 mil servidores paralisados - contingente que corresponde a 15% da quantidade de funcionários na ativa. A assessoria de comunicação do órgão informou que o corte de ponto atinge aqueles que não estão amparados por decisões judiciais ou cujas liminares assegurando o pagamento do salário foram cassadas.

A Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef) afirma que a quantidade de funcionários públicos em greve supera 300 mil pessoas, número que não é confirmado pelo governo federal.

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