Índios Marãiwatsédé renovam esperança de reaver terras



por Daniel Santini



Assim como na Eco 92, indígenas recebem na conferência promessas de que invasores serão expulsos e área retomada
Xavante

O cacique Damião Paridzané, líder dos índios xavantes de Marãiwatsédé, não consegue se acostumar com a poluição do ar no Rio de Janeiro; tem tido tonturas, dor de cabeça, fica enjoado. Carolina, a índia que é professora da aldeia, localizada no quente interior do Mato Grosso, não se acostuma com a temperatura da cidade. Ela reclama do frio e anda com um casaco a tiracolo. Os dois são parte da comitiva que viajou para acompanhar de perto a Conferência das Nações Unidas para Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Ambos se sentem desconfortáveis em meio a tanto asfalto, mas, acompanhados dos demais integrantes da comitiva, têm marcado presença em diferentes atos, debates e negociações em curso na cidade com o objetivo de denunciar e chamar a atenção para a situação do povo Marãiwatsédé. 



Cacique Damião durante a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. Fotos: Daniel Santini 


“Temos recebido apoio de todos que encontramos e isso nos dá força. Precisamos de uma solução urgente”, resume Damião. Assim como a Floresta Amazônica, devastada para dar lugar a plantações de soja, os xavantes do Mato Grosso encontram-se ameaçados pelo avanço dos fazendeiros e pela ocupação ilegal de suas terras. Em 18 de maio, obtiveram uma decisão favorável do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que determinou a retomada da desintrusão, ou seja, a retirada dos fazendeiros, grileiros e posseiros da área, e derrubou a suspensão de 12 meses do processo em vigor por decisão anterior da mesma corte.


Pressionado durante o debate “Marãiwatsédé – Terra de Esperança”, realizado na Cúpula dos Povos, Aluizio Azanha, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), se comprometeu a apresentar em breve um plano de desintrusão. A procuradora da República Marcia Brandão Zollinger, também presente no evento, lembrou que, pela decisão da Justiça, o Governo Federal tem obrigação de garantir a retirada dos invasores e afirmou que o Ministério Público Federal acompanhará a questão com atenção.


Leia a íntegra: Repórter Brasil

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"(...) é preciso que os brasileiros não-índios comecem a reconhecer integralmente a existência dos índios."