Tribunal americano aceita ouvir, pela primeira vez, argumentos quanto à extensão dos direitos humanos a animais


Legenda: Tilikum tem uma barbatana dorsal defeituosa, que ocorre somente em animais sob cativeiro. Foto:. milan.bores | cc by 2.0

por Alfredo Costa

No caso que ficou conhecido como "Tilikum (nome de uma orca) contra o SeaWorld (Parque aquático)", a ONG chamada Peta (sigla em inglês para "pessoas pelo tratamento ético dos animais") comemorou como um marco histórico uma ação judicial que pedia que as orcas mantidas presas nos parques temáticos SeaWorld fossem consideradas escravas. Embora um juiz americano tenha interpretado que a referência à escravidão na constituição americana diga respeito apenas a pessoas e não a orcas, foi a primeira vez que um tribunal americano aceitou ouvir argumentos quanto à extensão dos direitos humanos a animais.

A orca chamada Tilikum é uma das baleias que participam dos espetáculos com animais marinhos nos parques do Seaworld, que incluem ainda golfinhos e focas. A organização não cogitou libertá-la nem mesmo após incidente em que uma das treinadoras do parque morreu afogada.

Em seu site, a Peta recomenda: "Você pode fazer a diferença agora ao se recusar a comprar um bilhete para o  SeaWorld e ao conversar com pais e avós sobre a existência miserável dos animais que vivem e morrem em tanques de cimento apertados" (tradução livre).

Talvez eu nem tivesse escolhido esse assunto para veiculá-lo no blog hoje. Acontece que perdi o sono depois de escutar o bufão da Globo, Arnaldo Jabor, falar ontem no Jornal da Globo sobre  "ONG's que se especializam em bobagens", ao comentar o assunto.

Ora, eu não acredito que organizações e pessoas que lutam contra as crueldades contra os animas sejam tolas. 

Eu odeio rodeio, diz Rita Lee

Não acredito que tenha sido bobagem o protesto de Rita Lee  contra o uso do “sedém” e outros artifícios ainda mais cruéis para que os bichos “pulem bonito”  em rodeios e vaquejadas. Sem meias palavras, ela disparou:  "Eu odeio rodeio. O povo continuaria indo assistir se, ao invés de montarias, o espaço fosse utilizado para atletas, circos, feiras, concursos de bunda, tanta coisa..." E acrescentou: "É uma gentalha, que é tanta grana rolando que é difícil. É a mesma corja que faz farra do boi, briga de galo, são canalhas, são insensíveis. Eu quero que eles se danem. Gentalha!."

Tanto não foi bobagem a fúria da rainha do rock brasileiro que nesta semana a emissora do patrão do (pseudo)jornalista Jabor divulgou que, durante o maior evento do gênero no Rio Grande do Sul, o Movimento Tradicionalista Gaúcho, quem diria, teve de fazer acordo com a Sociedade Amigos dos Animais de Caxias do Sul e o Ministério Público para evitar maus tratos em animais. 

Não fez ainda qualquer bobagem a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais,  ao denunciar a  enfermeira que torturou e matou um cãozinho da raça yorkshire. Mais de 300 mil pessoas que assinaram petição pública contra a enfermeira que torturou e matou um  cãozinho da raça yorkshire. 

Nem eu mesmo posso ser acusado de fazer bobagem, por participar de passeata, juntamente com cerca de 5 mil pessoas na principal avenida da capital paulistana, em protesto contra esse e outros três casos de maus tratos a cães acontecidos recentemente e que mobilizaram as redes sociais.

Recado pro Jabor
  
A Lei Áurea, que aboliu na escravidão no País pode ser omissa em relação aos bichos, assim como a constituição norte-americana.  Mas a legislação brasileira proíbe a realização de práticas que envolvam maus-tratos, abusos e crueldade com animais (Constituição Federal, art. 225 e Lei Federal nº 9.605/98, art. 32). 

Bem, sabe de uma coisa, Jabor? Vá pentear macacos! Mas, com muito carinho, porque eles também são filhos de Deus. Que o digam os integrantes do Projeto GAP, que mantém em Sorocaba (SP) o  Santuário dos Grandes Primatas.