UFMT comemora 45 anos no Araguaia em meio a desafios e desenvolvimento da educação no ensino superior
Nesta sexta haverá a solenidade de aniversário da UFMT, Campus Araguaia. Em entrevista professor resgata a história e Pró-reitora destaca o impacto econômico e desenvolvimento das unidades universitárias da instituição.
Educação
Estenio Mota
Fundado em 1981 como Instituto Universitário do Araguaia, o Campus Universitário do Araguaia (CUA), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), comemora aniversário de 45 anos. Para marcar a data haverá uma solenidade com programação cultural especial que será realizada nesta sexta (27), às 19h, no Centro de Eventos Evaristo Roberto Vieira Cruz, na unidade universitária da cidade Barra do Garças (MT), aberta à comunidade.
Com atuação em mais de quatro décadas no ensino, Paulo Jorge da Silva afirma se sentir realizado no exercício da docência, um dos professores pioneiros da UFMT, Campus Araguaia - Imagem Estenio Mota. |
Docente desde 1º de agosto de 1983, ex-diretor do Instituto de Ciências Exatas e da Terra (ICET), exerceu o cargo de pró-reitor do campus (2017-2020), professor Paulo Jorge da Silva, entre os pioneiros da UFMT Araguaia, descreve os primeiros anos de funcionamento do Campus.
“Cheguei em 1983, já encontrei aqui o professor Laércio da Agronomia, professor Albérico Rocha Lima, que era coordenador na época. Acredito que a concepção desse campus deve ter surgido de um campus avançado da UNB que tinha em Aragarças. O pessoal da Fundação Brasil Central teve uma forte influência nisso. Depois surge o Centro Pedagógico de Barra do Garças, que naquela época tinha [curso de] Letras, oito semestres e Ciências, com oito semestres, e funcionava nas escolas de Barra do Garças”, conta.
O foco inicial era formar professores, o que explica a predominância de licenciaturas até hoje. “O governo na época tinha foco em formar professores, daí surgiu a força de hoje, o nosso campus abrigar muitas licenciaturas. Nós transitávamos entre escolas, até que ganhamos o terreno através da doação, de onde é o campus do Pontal, que naquela época era o município de Torixoréu ainda. A energia aqui era muito precária e aí nós usávamos lampião naquela época para poder assistir a aula”, relata Paulo Jorge, referindo-se à sede da UFMT que nascia à época na cidade de Pontal do Araguaia.
Em 1988, o curso de Ciências foi desmembrado em Matemática e Biologia, somado a Letras, com infraestrutura de 12 salas, três laboratórios, biblioteca e bloco administrativo. “Até houve até um curso de licenciatura em informática, que depois veio a se tornar ciência da computação por falta de regulamentação dessa profissão. O campus então cresceu, mas cresceu lentamente, pela distância de Cuiabá, não tinha internet, então era difícil se comunicar”, acrescentou.
Criação da Unidade Universitária de Barra do Garças
O crescimento acelerou com a desapropriação e doação da antiga fábrica de álcool de milho da Drurys pelo governo estadual, permitindo melhor infraestrutura. “E hoje nós temos uma infraestrutura boa, o campus cresceu um pouco, poderia ter mais cursos, poderia ser maior, né? Entretanto, o Enem ajudou a desenvolver a região, que já há estudantes de todo o Brasil, fomentando a economia da cidade, construção de kitnets, que gera renda de aluguel e consequentemente gerando renda para os municípios aqui da região”, observa o professor Paulo Jorge.
Como acrescenta, “e aí, a gente espera que nos próximos anos da UFMT Araguaia, a universidade possa avançar, possa se desprender do que ela viveu durante esses 45 anos, porque a gente espera que nos próximos anos a universidade possa de fato e deixar de ser apenas um campus dependente de Cuiabá, mas possa evoluir e expandir”.
A Pró-reitora Paula Carvalho Rodrigues, com atuação no campus desde 2010, como servidora técnico-administrativa, descreve que acompanhou os desafios do Campus no período mais recente, os quais foram também superados. Relembra as histórias de um pioneirismo de aulas à luz de velas e aponta marcos como a migração do campus para a cidade de Barra do Garças e os cortes orçamentários do governo.
“Essas dificuldades fortaleceram os alunos, os técnicos, servidores a seguirem adiante”, afirma. Rodrigues destaca também o déficit atual de servidores técnicos e a parceria com a imprensa local para superar limitações na comunicação entre universidade e comunidades regionais.
Pró-reitora da UFMT Araguaia, Paula Carvalho Rodrigues, durante entrevista realizada por videoconferência - imagem Estenio Mota. |
A pró-reitora enfatiza a importância do Campus Araguaia para o desenvolvimento regional. Como explica, “estudantes vêm de outras cidades, movimentam a economia local. A folha de pagamento da universidade é muito robusta. Imagina a cidade sem esse dinheiro circulando”.
As unidades da UFMT no Araguaia permitem, como analisa Rodrigues, a capacitação de professores da rede municipal em parcerias, no desenvolvimento de projetos de extensão e pesquisa inovadora, como curativos de alta cicatrização para pacientes, que “pode mudar a vida das pessoas”.
Quanto à expansão da graduação na UFMT Araguaia, a pró-reitor ressalta que neste momento o Campus dá início ao curso de engenharia agroindustrial e a reitoria trabalha com a aprovação do projeto do curso de medicina para os próximos anos. Como explica, agora resta a visita do MEC o que deve ocorrer em abril. Com aprovação da graduação “virão mais recursos e apoio de parlamentares” para expandir e formar mais profissionais para a região e para o Brasil.
Solenidade de aniversário
Na programação da solenidade de aniversário UFMT, Campus Araguaia, haverá exibição de vídeo institucional, apresentações artísticas e culturais com artistas locais, além de reflexões que conectam o passado pioneiro, o presente de conquistas e o futuro de expansão do Campus, com participação da comunidade acadêmica e comunidade local e regional.