A UFMT debate MP 914 em ano de escolha dos nomes para a lista tríplice para reitor da universidade

Processo Eleitoral

Agência Focaia
Reportagem
Júlia Viana

A Universidade Federal do Mato Grosso realiza neste ano eleições para escolha de Reitor, com gestão para os próximo quatro anos (2021-2024). Em questão que está tensionando a comunidade acadêmica diz respeito à Medida Provisória 914/2019, a qual propõe mudanças na gestão das reitorias das universidades públicas brasileiras.


Professores e servidores do campus Araguaia se manifestam contra a proposta da 
MP 914, almejando mudança do processo eleitoral para reitoria da UFMT. Imagem: 
Izadora Viana 


Na UFMT o questionamento é sobre o momento de realização do processo eleitoral, se sob o efeito da medida do governo ou após uma possível extinção da MP, que poderá ocorrer se não for votada pelo Congresso até o mês de junho. 

A Medida Provisória 914/2019 entrou em vigor na data de sua publicação em 24 de dezembro de 2019, e perderá sua validade se não for aprovada pelo Congresso Nacional em 120 dias, mas como os parlamentares estiveram em recesso por 39 dias, o prazo de votação da MP será alongado . 

A Medida Provisória determina que, para o processo de escolha dos dirigentes das universidades federais e dos institutos federais, seja feita uma consulta à comunidade acadêmica para formação da lista com três nomes mais votados, que, posteriormente, passará pela submissão do Presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido).

Há a possibilidade de o processo eleitoral ser realizado sem efeitos da MP,  mediante pressão do movimento estudantil e do Sindicato dos Trabalhadores Técnico Administrativo da UFMT (SINTUF) sensibilizando os parlamentares para a não aprovar a MP. Um dos pontos em discussão é a autonomia universitária, de escolher o reitor com o voto paritário, oferecendo o mesmo peso de decisão para professores, estudantes e técnicos servidores.

A MP apresentada pelo governo ao país estabelece prioridade aos docentes na escolha do reitor com 70%, estudantes e técnicos e servidores decidem o voto com peso de 15%, cada segmento. Ponto que vem gerando debate nos campi universitários, com tensionamento na comunidade acadêmica, neste momento.

Candidaturas

Apesar da dúvida sobre quanto a legislação e postura política governamental sobre as universidade públicas, na UFMT grupos de professores se mobilizam para definição de candidaturas. Alguns nomes começam a se destacar, como o do atual reitor, Evandro Aparecido Soares da Silva, que assumiu o cargo com a decisão da reitora Myrian Serra de afastamento da direção da instituição, alguns meses do término do mandato. 

O sindicalista e ex-presidente da Adufmat, Reginaldo Araújo é outro nome que vem sendo avaliado pela comunidade da universidade mato-grossense, como provável candidatura.
Outros estão em processo de negociação com os pares, nos cinco campi da universidade. 

De acordo com a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Campus Araguaia, Flavia Giordano, "a lei antiga previa que a escolha de formação da lista tríplice para reitor era feita por meio dos conselhos superiores em votação uninominal (escolha de um nome). A mudança foi que agora o voto da consulta é direto e a proporção de voto é aplicada diretamente no resultado que gera a lista tríplice, sem passar por decisão de conselho". 

A estudante  enfatiza que "as mudanças da medida provisória expressam normativas que já eram previstas pelo próprio estatuto da UFMT, a exemplo da escolha dos diretores e pró-reitores”. Com as mudanças política em torno das universidades públicas brasileiras, um ponto que preocupa a comunidade universitária é de o ministério da educação indicar reitor pro-tempore para gerir a instituição pública de ensino superior, “o que acredito não ser a vontade da maioria da parte do corpo discente e docente," destaca a líder estudantil.

Para Reginaldo Araújo, que se movimenta para firmar seu nome no processo eleitoral para reitoria da UFMT, na oposição à política do governo, “em razão da postura de redução de verbas, esse pleito será mais disputado e certamente terá mais tranquilidade de diferenciar os projetos de cada candidato, e uma candidatura que defenderá o governo ou que se mostrará contra," analisa.