O enfraquecimento dos movimentos sindicais trouxe políticas neoliberais ao país, diz diretora da ADUFMAT
Sindicalismo
Agência Focaia
Redação
Júlia Viana
Professores e sindicalistas destacam a importância dos sindicatos
para
representação trabalhista, diante do cenário atual. Foto: João Paulo
representação trabalhista, diante do cenário atual. Foto: João Paulo
A importância dos sindicatos no jornalismo foi
tema de colóquio realizado na última sexta-feira (29), na Universidade Federal
de Mato Grosso, Campus Araguaia. Além das questões especificamente
trabalhistas, os debatedores fizeram análises das condições atuais do
profissional da comunicação, questionando como permitir a pluralidade na
profissão, a busca pelo respeito e valorização da categoria, com atenção à ética.
Na resposta, a importância de a organização
sindical para que os jornalistas obtenham estrutura e capacidade para exercer
com mais liberdade suas atividades no trabalho.
Na
mesa de discussão a participação dos professores de jornalismo da UFMT/CUA
Jorge Arlan e Deyvisson Costa. A diretoria de imprensa da Associação dos
Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso (ADUFMAT) e professora do curso
de Geografia da UFMT/CUA, Adriana Queiroz, e a diretora dos Sindicatos de
Jornalistas do Mato Grosso (Sindjor/MT), Fátima Lessa completaram o grupo de debatedores.
Para
Arlan, existem vários problemas que repercutem no cenário atual das profissões.
Ele destacou assédio, estresse, salários que não condizem com a função,
propostas como a reforma da previdência, falta de liberdade, autonomia e
censura em certos casos.
O
professor enfatizou a necessidade da democratização dos meios de comunicação,
de modo que seja possível a atividade jornalística atender a todas as classes
sociais, numa referência ao jogo econômico e político a que se submete o
jornalista, quando em atividade nas grandes empresas de comunicação.
Mobilizações
De
acordo com a diretora da ADUFMAT, os sindicatos de todas profissões, ao final,
se unem para mobilizações contra causas comuns dos trabalhadores, como a
reforma da previdência, um dos assuntos debatidos no Brasil no momento, que
sofre críticas por parte da opinião pública quanto aos benefícios futuros para
trabalhadores.
Ela
destacou a importância do sindicato para organizar a diversidade de ideias
entre as categorias, fiscalizar atos e propor melhorias numa conjuntura em que
todos são afetados, caso necessário promover mobilizações sociais para defesa
do trabalho.
O
atual cenário político, conforme avaliação da docente e sindicalistas, resultou
em enfraquecimento dos sindicatos, os quais perderam articulação política,
sinalizando dificuldades das de grupos políticos sociais em encontram ambiente político para
dialogar com o governo conservador de Jair Bolsonaro (PSL).
Como
efeito desta governabilidade próxima da direita brasileira, como entende
Queiroz, houve o enfraquecimento inevitável do sindicalismo, em decorrência da
emergência dos neoliberais no país, quando há fortalecimento do controle do
trabalho pelo mercado exportador, com redução dos direitos trabalhistas para
mais rentabilidade de lucros das grandes empresas.
No
caso do jornalismo, o foco do debate, o profissional ao sindicalizar deve-se
ter em mente a própria categoria, com atenção às bandeiras que serão defendidas
em benefício da profissão, avaliam. A liberdade para se comunicar com a
população torna-se um dos fundamentos dos profissionais da imprensa, no sentido
de levar informações à respeito de ideias que chegam a toda população.
Para a
diretora do Sindjor/MT, a preocupação do sindicato é dar um suporte para o
profissional ser bem-sucedido no mercado de trabalho, e que tenha a quem
recorrer para ir em busca de seus direitos e permanecer com o emprego, além de
lutar por suas causas, avalia Lessa. Com um cenário neoliberal atual, ocorrem
grandes riscos quanto à perda de direitos, por isso, é importante conhecer as
propostas do sindicato e se organizar como jornalista e trabalhador, afirma.
