Comissão do Senado aprova a criação da Universidade Federal do Norte de Mato Grosso, restando apreciação da Câmara e do governo

Comissão de Educação dá aval ao projeto que transforma o campus da UFMT de Sinop em instituição autônoma, em uma das regiões mais produtivas do estado.

 


Universidade

Estenio Mota  


 

A Comissão de Educação do Senado Federal aprovou o projeto que autoriza a criação da Universidade Federal da Região Norte de Mato Grosso. A proposta transforma a configuração do atual campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop em uma instituição autônoma.



A UFMT Sinop é a principal porta de entrada para o ensino superior público na região Norte de Mato 
Grosso. Foto: reprodução / Facebook UFMT Campus Sinop.


O PL 5.156/2020, de autoria do senador Wellington Fagundes (PL-MT), foi aprovado no mês passado, em votação final na comissão da Casa e segue agora para análise na Câmara dos Deputados, caso ainda não haja recurso sobre a matéria a ser apreciado no Plenário do Senado.

 

De acordo com o texto, a nova universidade terá autonomia administrativa, didática e financeira para oferecer cursos de graduação, pós-graduação, além de atividades de pesquisa e extensão. No entanto, a medida não prevê a criação de novos cargos nem estrutura física adicional, o que significa que não haveria impacto imediato nas despesas do governo federal.

 

Como descreve o documento, o objetivo principal é ampliar o acesso ao ensino superior em uma das regiões mais importantes para a economia do estado.

 

Com cerca de 900 mil km² e população inferior a 4 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE, Mato Grosso, conta com duas universidades federais, na capital e na cidade de Rondonópolis, no sudeste do estado.

 

O senador Wellington Fagundes, que nas eleições deste ano se apresenta como pré-candidato ao governo do estado, durante os trabalhos da comissão destacou o potencial econômico da região Norte mato-grossense, especialmente na produção agrícola, e a necessidade de formar mão de obra qualificada.

 

Em pleno ano eleitoral, a aprovação foi celebrada por Fagundes em pronunciamento no Plenário. Ele enfatizou que a nova instituição deve contribuir para o desenvolvimento local, atendendo à crescente demanda por qualificação profissional sem comprometer recursos de outras universidades.

 

A proposta ainda depende de aprovação definitiva no Congresso Nacional para a confirmação da criação da Universidade Federal do Norte de Mato Grosso (ou da Região Norte de MT) e, posteriormente, de regulamentação pelo governo federal para entrar em vigor.

 

Entenda o que muda:

 

A transformação do campus da UFMT em Sinop em uma universidade federal autônoma passa a oferecer uma maior independência administrativa, didática e financeira à nova instituição, que atualmente é vinculada à reitoria central em Cuiabá.

 

Portanto, no atual modelo, o campus depende da direção da UFMT em Cuiabá para criar cursos e expandir vagas, pois as decisões dependem de priorização dentro da estrutura maior da UFMT.

 

Com autonomia plena, a futura Universidade Federal da Região Norte de Mato Grosso poderá definir suas prioridades locais com maior agilidade, especialmente em áreas alinhadas à vocação econômica da região, como agronegócio, engenharias e biotecnologia, além de atrair mais recursos e parcerias.

 

Defensores do projeto argumentam que essa medida fortalece a interiorização do ensino superior em um estado de grandes dimensões territoriais, facilitando o ingresso de jovens de municípios próximos sem a necessidade de migração para a capital, em conformidade com as propostas das metas do Plano Nacional de Educação.