Professor da UFMT lança em Barra do Garças o livro ‘Sob o Tremor das Imagens’ sobre cinema indígena e território

Cultura 

Maria Fernanda Neres 

 

O professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, Gilson Moraes da Costa, realizou nesta sexta-feira (6) o lançamento do livro “Sob o Tremor das Imagens - Cinema Indígena, Cultura e Território”, no Centro Cultural Valdon Varjão, em Barra do Garças (MT).

 

O evento teve início com a dança da cura, realizada por quatro representantes indígenas, que apresentaram ritual tradicional ligado às práticas culturais das comunidades. Além do livro, o evento apresentou uma exposição fotográfica com imagens registradas durante o trabalho de campo. As fotografias mostram aspectos do cotidiano das comunidades e momentos de rituais importantes para a organização social do povo Xavante.


 A obra discute o cinema produzido por povos indígenas e analisa como o audiovisual é utilizado como ferramenta de expressão cultural, memória e afirmação identitária. O texto traz resultados das pesquisas realizadas pelo autor nas comunidades indígenas, especialmente do povo Xavante, durante período de dedicação ao doutorado.


Segundo Costa, a pesquisa buscou compreender como os povos indígenas têm se apropriado das tecnologias do audiovisual para produzir suas próprias narrativas.

 

“Com a apropriação das tecnologias do audiovisual, os povos indígenas passam a contar a própria história. Eles deixam de depender do olhar do não indígena, que muitas vezes produziu narrativas distorcidas ou estereotipadas”, afirma. O uso dessas ferramentas, conforme Costa permite que as comunidades registrem suas experiências culturais a partir de suas próprias perspectivas, fortalecendo a autonomia narrativa dos povos indígenas.


 

Momento durante a Roda de Conversa com participação de Gilson Costa e três
lideranças indígenas – imagem Maria Fernanda Neres

 

 

Audiovisual na produção de cultura 

 

Para o professor do curso de Jornalismo da UFMT, Edson Luiz Spenthof, presente no evento, as iniciativas culturais que envolvem cinema e audiovisual ajudam a ampliar as formas de produção e circulação de conhecimento.

 

“O cinema e o audiovisual têm uma força muito grande como linguagem de conhecimento. Mesmo quando se trata de ficção, essas narrativas nos fazem refletir sobre outras realidades e sobre a nossa própria experiência social”, destaca.

 

Segundo ele, no caso das produções indígenas, os registros audiovisuais também têm sido utilizados como ferramenta pedagógica dentro das próprias comunidades. “Em muitos casos, os próprios anciões percebem nessas produções uma forma de preservar histórias e manter vivas as tradições, criando um elo entre as novas gerações e os conhecimentos ancestrais”, avalia o professor. 

 

Impressões do público 

 

O evento reuniu estudantes, professores e membros da comunidade interessados na temática. Para o jornalista Matheus Lobo, a exposição fotográfica contribui para aproximar o público da realidade vivida pelas comunidades indígenas.

 

“A exposição cria uma experiência mais próxima da vida nas aldeias e permite que as pessoas tenham contato com aspectos da cultura indígena, que muitas vezes não aparecem nas narrativas mais comuns”, avalia.

 

O professor do curso de direito da UFMT e estudante do curso de Jornalismo, Valdeir de Jesus, destacou que iniciativas como o lançamento do livro ajudam a ampliar o olhar sobre a história dos povos indígenas.

 

“Muitas vezes conhecemos essas histórias apenas por narrativas externas. Quando essas experiências são apresentadas a partir de outras perspectivas, conseguimos compreender melhor a diversidade cultural presente no país”, afirma.



O pesquisador Gilson Costa durante sessão de autógrafos
com atenção aos participantes do evento
– imagem Maria Fernanda Neres.