Alcione dos Anjos
Estudantes
secundaristas de Rondonópolis (212 km de Cuiabá) engrossaram o movimento que
vem ocupando as escolas de Mato Grosso como forma de protesto. Na tarde de
ontem (06) cerca de 60 alunos da Escola Estadual Ramiro Bernardo da Silva
participaram de uma assembleia geral e definiram pela ocupação.
Foto - Jornal Cidade MT
De
acordo com o diretor da Associação Mato-grossense dos Estudantes Secundaristas
(AME), Daniel Abreu, que se deslocou de Cuiabá até Rondonópolis para participar
da assembleia, as pautas de reivindicações são as mesmas apresentadas pelas
outras 22 escolas ocupadas no Estado. “Para nós é imprescindível a instauração
de uma CPI para apurar os desvios de recursos na Seduc e a proposta do Governo
de realizar Parcerias Públicos-Privadas é inviável”, aponta.
Segundo
o presidente da AME, Juares França, mais de 1,5 mil pessoas estão envolvidas no
movimento no Estado. “A cada dia o movimento cresce e por meio das nossas
redes sociais demonstramos nosso dia a dia para combater a tentativa de alguns
setores de criminalizar o movimento”.
Além
da Ramiro em Rondonópolis, foram ocupadas escolas em Primavera do Leste
(Antônio Cristino Cortes, Irmã Diva e Gaspar Dutra), em Barra do Garças (Alda
Gawlinsk Scopel), em Cuiabá (Rafael Rueda, o Caic do bairro Pedra 90, João
Panarotto, Estevão Alves, Juarez Rodrigues, Pascoal Ramos, Raimundo Pinheiro,
Diva Hugueney, José de Mesquita, Zélia Costa e Padre Ernesto) e em Várzea
Grande (Ubaldo Monteiro, Marlene Marques de Barros, Porfíria Paula de Campos,
Elmaz Gattas Monteiro, Fernando Leite, Jayme Campos, Milton Figueiredo, e
Elizabeth Bastos).
A
primeira ocupação ocorreu em Várzea Grande, quando os secundaristas entraram na
Elmaz Gattas. Também foi na cidade industrial que houve a maior polêmica.
Alguns
veículos de comunicação chegaram a divulgar que os alunos estavam fazendo uso
de bebidas e drogas durante a ocupação da escola Ubaldo Monteiro. “Querem tirar
o mérito da ocupação, querem que a sociedade seja contra o movimento dos
estudantes”, acusa um professor que acompanha a ocupação, mas por medo de retaliações
prefere não divulgar seu nome.
“Eles
estão cuidando da escola, fazendo limpeza, é lindo de se ver. Todo dia tem
atividade, inclusive hoje tem a prova da 12ª Olimpíada Brasileira de Matemática
das Escolas Públicas e eles querem fazer”.
A
Seduc continua negando que o governo tenha interesse em privatizar a educação e
que antes de implantar qualquer modelo de PPP irá realizar audiências públicas
para debater com a sociedade escolar.