Coluna do Tostão: Análises prontas

Publicação: 15 de Junho de 2014

As análises já estão prontas para o fim da Copa. Certas ou erradas, independentemente dos fatos. Isso não acontece apenas no futebol. A maior parte da vida é programada. Os descuidos, desvios, são exceções.

Se o Brasil for campeão, o fato de jogar em casa, apoiado pela torcida, será exaltado. Se perder, os jogadores não suportaram a pressão, a responsabilidade. Se a Espanha for eliminada na primeira fase, ou mesmo em um jogo mata-mata, a culpa será da decadência dos jogadores e do estilo. Se o time for campeão, será por causa da experiência.

Se a Holanda continuar brilhando, mesmo sem ser campeã, serão valorizados a irreverência dos jogadores, os banhos de mar e os passeios pelas belezas do Rio e de outras cidades. Se for eliminada, dirão que faltou seriedade e concentração.

Se a Alemanha for campeã, a privacidade, em uma bela praia da Bahia, será positiva. Se perder, falarão que a seleção ficou isolada, solitária. Se a Argentina conquistar o título, as únicas razões serão Messi e o poderoso ataque. Se perder, as culpadas serão a péssima defesa e a apatia de Messi.

Se o Chile fizer ótima campanha, mesmo sem ganhar o título, a avalanche com que o time vai para o ataque será elogiada. Se for eliminado na primeira fase, será porque o futebol moderno não admite mais defensores baixos nem um jogo muito ofensivo. É o futebol do comentário pronto.

Belos nomes

Existem atletas, pelo que jogam, muito mais famosos do que deveriam ser. Chicharito, reserva da seleção mexicana e do Manchester United, é um deles. Só falam nele. Deve ser porque o apelido é interessante, Chicharito. Antes da Copa de 1998, vi a França jogar só para ver Djorkaeff. Só falavam dele. Era apenas razoável, bom. A fama deve ser também pelo nome sonoro, Djorkaeff. Em compensação, vi um jogador já magistral, coadjuvante de Djorkaeff, um tal de Zidane.